Eu acreditava que, com as palavras certas e o tom exato, conseguiríamos chegar a um lugar comum, onde o entendimento fosse bom para ambos os lados.
Mas, pouco a pouco, percebi que minhas tentativas de compreensão eram engolidas pelo ruído.
Onde eu buscava harmonia, o outro só
buscava o ringue.
O amadurecimento me trouxe uma lucidez silenciosa: existem almas que se alimentam do conflito.
São viciadas no embate pelo prazer do
atrito, sem nenhuma intenção de aprender ou de encontrar o meio termo. Para
essas pessoas, a vitória não é o consenso, é o desgaste alheio.
Foi então que desisti.
Não por cansaço, mas por escolha.
Sou feita de paz.
E hoje, não gasto um suspiro sequer com quem faz da discórdia o seu lar.
Diante do vício de quem ama a briga, eu ofereço o meu silêncio e o meu distanciamento.
Vivo melhor assim, sem batalhas
inúteis para lutar.
No fim das contas, aprendi a lição mais preciosa de todas:
eu prefiro ter paz do que ter razão.
Muitas vezes, a nossa paz depende de uma única palavra que deixamos de dizer. Você já sentiu a liberdade de desistir de uma discussão que não era sua?
Lia Silva
Fev. 2026

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