segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A Paz que Escolhi

Houve um tempo — longo demais, confesso — em que eu gastava meus dias tentando construir pontes. 

Eu acreditava que, com as palavras certas e o tom exato, conseguiríamos chegar a um lugar comum, onde o entendimento fosse bom para ambos os lados.

Mas, pouco a pouco, percebi que minhas tentativas de compreensão eram engolidas pelo ruído. 

Onde eu buscava harmonia, o outro só buscava o ringue.

O amadurecimento me trouxe uma lucidez silenciosa: existem almas que se alimentam do conflito. 

São viciadas no embate pelo prazer do atrito, sem nenhuma intenção de aprender ou de encontrar o meio termo. Para essas pessoas, a vitória não é o consenso, é o desgaste alheio.

Foi então que desisti.

Não por cansaço, mas por escolha.

Sou feita de paz.

E hoje, não gasto um suspiro sequer com quem faz da discórdia o seu lar. 

Diante do vício de quem ama a briga, eu ofereço o meu silêncio e o meu distanciamento. 

Vivo melhor assim, sem batalhas inúteis para lutar.

No fim das contas, aprendi a lição mais preciosa de todas: eu prefiro ter paz do que ter razão.

Muitas vezes, a nossa paz depende de uma única palavra que deixamos de dizer. Você já sentiu a liberdade de desistir de uma discussão que não era sua?


Lia Silva 
Fev. 2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Paz que Escolhi