A Graça escandaliza porque oferece ao pecador aquilo que a meritocracia e a lógica humana não reconhecem.
Todo sacrifício necessário para nossa salvação foi cobrado de Cristo. Ele pagou.
Para nós, a salvação é pura Graça.
Acredito que a vida é um eterno compartilhar. Compartilhamos amizades, amores, lágrimas, sorrisos e aquilo que somente nós sabemos existir em nós. Neste blog está um pedacinho de mim. Um pouco daquilo que acredito, sonho, sofro e desejo. Você é bem vindo a este compartilhar!
A Graça escandaliza porque oferece ao pecador aquilo que a meritocracia e a lógica humana não reconhecem.
Todo sacrifício necessário para nossa salvação foi cobrado de Cristo. Ele pagou.
Para nós, a salvação é pura Graça.
Os três últimos dias foram de uma anormalidade sem precedentes em minha vida.
Momentos de terror e pacificação nunca experimentados antes.
Na noite de quinta-feira, meu filho e eu fomos participar de um jantar com amigos do coração e chegamos em casa por volta das 22h00. Ao parar na frente de casa para entrar no estacionamento, meu filho desceu para abrir o portão e, no mesmo instante, um carro apareceu das sombras e parou bruscamente atrás de mim.
Fui rendida por 3 indivíduos, um deles armado, que me empurraram para dentro do portão que meu filho abria. Assustado, sem entender o que acontecia, ele gritou pelo nome da dona da casa que mora em frente à casa onde estamos morando. Ela apareceu e imediatamente foi também rendida. Nós três fomos empurrados para dentro da casa dela e colocados no quarto. Um dos indivíduos ficou na porta do quarto apontando a arma para nós enquanto os dois vasculhavam a casa da minha senhoria e levavam para o meu carro o que achavam que era de valor.
Foram uns 20 minutos de muito medo, vulnerabilidade, impotência e consciência da instabilidade da vida. Enquanto eu estava sentada olhando para aquela arma apontada, pensei que, a alguns minutos atrás eu estava sentada em uma roda com gente amada, rindo, conversando, comendo, comungando, e agora estava em uma situação tão surreal que parecia ficção.
Enquanto a dona da casa chorava muito e falava com
preocupação sobre seus gatos que haviam fugido porque a porta ficara aberta,
meu filho levantava a mão pedindo permissão ao indivíduo armado na porta do quarto
para ir ao banheiro: “Agora não, moleque! Segura aí e fica quieto!”, foi a resposta
firme.
Estranhamente, eu não entrei em pânico. Sentia medo pelos desdobramentos que eu sabia que aquilo poderia ter, mas preferi manter minha mente em conexão com Aquele que me conhece e cuida de mim. Mentalmente fiquei pedindo ao meu Pai por proteção e para que tudo acabasse bem.
Enfim, eles se deram por satisfeitos e foram embora levando meu carro, meu celular
e muitos, muitos pertences da casa de minha senhoria. Deixaram o portão aberto
e sem o cadeado, decerto na esperança de voltar mais tarde para levar a moto da
outra inquilina que mora no mesmo terreno.
Chegara a hora de agir, era o momento de deixarmos de ser
passivas. Chamamos os vizinhos, a polícia e eu fui com o carro da senhoria para
uma delegacia prestar queixa. Foi quando eu cheguei lá que minha aparente calma
terminou. Senti no corpo os efeitos da tensão com tremores, dores no estômago e
boca seca; sentia vontade de chorar convulsivamente, mas não consegui.
Auxiliada pelos policiais, logo me recompus e eles me
escoltaram até em casa com mais umas 4 ou 5 viaturas. Os vizinhos chegaram e os
policiais ficaram em frente à nossa casa tentando rastrear meu celular para
reaver o carro e os pertences da vizinha até mais de 3 horas da manhã. Ao ver
os rostos de alguns meliantes no sistema da Polícia, conseguimos reconhecer o
líder deles, que provavelmente era o único adulto entre os 3. Os outros 2
certamente eram menores – um deles sequer tirou a toca e máscara e só conseguimos
ver seus olhos sombrios.
Não houve sono para nenhum de nós 3 naquela noite. A sexta-feira
amanheceu e eu precisei ir resolver os problemas práticos da noite de ação. Cancelamento
de cartões e contas, cancelamento de celular, acionar seguro do carro, ir à
delegacia civil fazer o BO e etc.
A sexta-feira chegou ao fim bem sucedida. Consegui reaver meu número com outro
chip e outro aparelho; consegui resolver o problema dos cartões e também pegar
o carro extra na seguradora.
Enfim, tudo solucionado, corpo exausto, mente agitada,
emoções em frangalho.
Chazinho de melissa e cama. Meu filho e eu dormimos, enfim. Até
sermos acordados às 00:10 pelo telefone. Diziam ser da polícia militar e que
estavam com meu carro. Eu deveria ir até uma comunidade carente em uma cidade
próxima daqui porque o carro estava abandonado na rua.
E o medo de sair no portão 24h depois de ter sido abordada?
E se não fosse a polícia, mas um trote para uma emboscada?
Escoltada pelo pai do meu filho, fomos até o local e
verificamos que era de fato a polícia e meu carro fora abandonado praticamente
no meio da rua depois de terem assaltando outro veículo que transitava por ali.
Os policias contaram que meu carro havia sido usado em pelo menos mais 3 assaltos
e um deles tinha sido filmado.
Os policias nos escoltaram até a delegacia civil mais próxima
onde um novo BO foi feito.
O carro estava inteiro, sem dano algum, com meio tanque de gasolina
e muito sujo, com cheiro muito forte de fumaça. Escoltada até em casa
novamente, já passava das 3h da manhã quando finalmente conseguimos dormir, sem,
contudo, conseguir relaxar.
Nossas vidas foram poupadas. Não houve um desfecho trágico.
Minha senhoria, mais do que eu, perdeu muitos bens materiais. Mas as sequelas
emocionais estão muito vivas. Difícil andar na rua sem ter a sensação de estar
sendo seguida; difícil sair no portão e não reviver o momento da abordagem. Entendo
que não houve violência física contra nenhum de nós, no entanto, a situação em
si é de uma violência emocional doentia. O medo de que possa acontecer de novo pode
nos manter reféns. Ouvir um carro passando na frente da casa nos faz correr e
esconder, mesmo sem saber do que se trata.
Meu filho, que está com 11 anos, fez o seguinte questionamento:
“o que leva esses meninos a fazerem esse tipo de escolha na vida? Eles não sabem
que isso não tem um futuro?”
Eu não sei responder pelas escolhas– ou falta delas – dos
outros, mas sei que preciso escolher viver depois desse trauma. Viver com
plenitude. Minha fé em Quem cuida de mim, precisa superar meus medos. Não sei
explicar o porquê dos acontecimentos, mas sei que não estávamos sozinhos
naquele quarto quando uma arma nos era apontada. Entendo que minha calma
naquele momento se deu porque eu estava confiante em quem estava cuidando de
nossa vida. A presença dEle é que me trouxe consolo e tranquilidade, mesmo sob a
mira de uma arma.
Os anéis se foram. Os dedos ficaram.
Temos vida para seguir nessa luta proletária e para repor o
que nos foi tirado. Há aqueles que passam por situações semelhantes que, sem
muito esforço, conseguem repor os bens levados. Não nós. Lutamos e trabalhamos
MUITO para ter o que temos e que nos é tomado em segundos. Os sentimentos de injustiça
e de impotência diante da inevitável, dura e doentia realidade quer nos arrancar
a esperança.
Sinto que preciso de um exercício de fé para manter acessa a
chama de uma esperança. Não a esperança na humanidade, muito menos a esperança na
justiça. Mas a Esperança da Vida. Ele é a minha esperança. Ele é o meu amanhã. É
nele que preciso continuar enraizada para não ser engolida pelas atrocidades
humanas.
Seguimos aqui firmes pela graça dEle, até que Ele venha!
Há alguns anos fiquei presa em um ônibus cruzando a cidade de São Paulo durante a hora do rush.
O tráfego mal estava se movendo. O ônibus estava cheio de pessoas frias e cansadas que estavam profundamente irritadas umas com as outras, com o próprio mundo.
Dois homens
latiram um para o outro sobre um empurrão que pode ou não ter sido
intencional. Uma mulher grávida subiu e
ninguém lhe ofereceu um assento. A raiva
estava no ar. Nenhuma misericórdia seria encontrada ali.
Quando o ônibus
se aproximou da avenida Paulista, o motorista pegou o interfone e anunciou:
Foi como se um
feitiço tivesse sido dissipado.
Todos começaram a
rir. Os rostos brilharam de surpresa e
deleite.
Pessoas que
vinham fingindo na última hora não perceberem a existência um do outro, de
repente, estavam sorrindo um para o outro. “Esse cara está falando sério?”
Ele estava
falando sério.
Na próxima
parada, conforme prometido, o motorista estendeu a mão com a palma para cima e
esperou.
Um por um, todos
os passageiros que saíam, colocaram suas mãos logo acima da dele e imitaram o
gesto de deixar algo cair em sua palma.
Algumas pessoas
riram enquanto faziam isso, outras choravam, mas todas fizeram.
O motorista
também repetiu o mesmo adorável ritual na próxima parada.
E na próxima.
Em todo o caminho
até o rio.
Vivemos em um
mundo difícil, meus amigos.
Às vezes, é
extremamente difícil ser um ser humano.
Às vezes, você
tem um dia ruim.
Às vezes, você
tem um dia ruim que dura vários anos.
Você luta e
falha.
Você perde
empregos, dinheiro, amigos, fé e amor.
Você testemunha
eventos horríveis acontecendo no noticiário e fica com medo e retraído.
Há momentos em
que tudo parece envolto em trevas.
Você anseia pela
luz, mas não sabe onde encontrá-la.
Mas, e se você
for a luz?
E se você for o
próprio agente de iluminação que uma situação escura implora?
Isso é o que este motorista de ônibus me
ensinou, que qualquer um pode ser a luz, a qualquer momento.
Esse cara não era
um grande jogador de prestígio.
Ele não era um
líder espiritual.
Ele não era um
influenciador experiente nas mídias.
Ele era um
motorista de ônibus, um dos trabalhadores mais invisíveis da sociedade. Mas ele possuía poder real e o usou
lindamente para o benefício daqueles que o cercavam.
Quando a vida parece
especialmente sombria ou quando me sinto particularmente impotente em face dos
problemas do mundo, penso neste homem e me pergunto:
“O que posso
fazer agora para ser a luz?”
Claro, eu não
posso encerrar pessoalmente todas as guerras, ou resolver o aquecimento global,
ou transformar pessoas irritantes em criaturas totalmente diferentes.
Eu
definitivamente não consigo controlar o tráfego.
Mas eu tenho
alguma influência sobre todos que encontro, mesmo que nunca falemos ou
aprendamos o nome um do outro.
Não importa quem
você seja, ou onde esteja, ou quão mundana ou difícil sua situação possa
parecer, eu acredito que você pode iluminar o seu mundo.
Na verdade,
acredito que esta é a única maneira pela qual o mundo será iluminado, um
brilhante ato de graça de cada vez, até o rio.
Texto de Elizabeth Gilbert
Adaptado por Lia
Silva
Era sábado à noite. Uma noite agradável e estrelada.
O menino de 10 anos estava eufórico. Fazia mais de um ano que a pandemia havia isolado a população, e o menino não via a hora de sair novamente.
A mãe estava levando-o para tomar um lanche em um food truck. Pararam em um dos trailers que servia hambúrguer e escolheram uma mesa no cantinho da calçada, o mais isolado possível.
Sentados ao ar livre, o menino e a mãe fizeram seus pedidos e ficaram à espera. Conversaram sobre os programas de internet que o menino acompanhava, falaram sobre as aulas on-line, sobre os amigos internautas e riram de bobagens. Um momento único entre mãe e filho que tanto o menino quanto a mãe apreciavam cultivar.
E então aquela jovem mulher aproximou-se da mesa deles,
tímida. Segurava uma sacola plástica grande pendurada no braço.
- Boa noite, com licença. Posso atrapalhar um pouquinho? – E
começou a tirar algumas caixinhas de sua sacola e colocou-as sobre a mesa
enquanto explicava que, por causa da pandemia, estava sem trabalho, com 4
filhos para criar e por isso estava vendendo artesanatos que ela fazia e os
filhos pintavam.
- Essa caixinha grande é 20,00 e essa pequena é 10,00.
A mãe sentiu o coração apertar. Sem muita esperança para
poder ajudar, perguntou:
- A senhora aceita cartão?
O brilho sumiu dos olhos da jovem mulher.
- Puxa, sinto muito! Eu estou só com o cartão aqui.
- Ah, tá bom, fica para a próxima então. – E foi guardando
seus artesanatos novamente na sacola.
E então o menino se levantou dizendo:
- Eu acho que eu tenho dinheiro na minha carteira! Ainda bem
que eu lembrei de trazer hoje, pois eu sempre esqueço, mas hoje ela vai servir
para alguma coisa.
A mãe foi surpreendida. De onde o filho tinha dinheiro? Será
que tinha mesmo? Será que não seria frustrado ao abrir a carteira e vê-la vazia?
Ele sofreu para tirá-la do bolso apertado, mas quando
conseguiu, anunciou alegre:
- Eu tenho 4,00!
- Ah, filho! Então não dá, pois é 10,00! - Orientou a mãe.
- Não, tudo bem, pode ser 4,00 sim! Não tem problema! – exclamou
animada a mulher.
- Mas não vai te deixar no prejuízo?
- Não, imagina! É tão linda a disposição dele!
Ela pegou o dinheiro que ele lhe ofereceu, deixou-o escolher
a caixinha e despediu-se com um sorriso enorme no rosto dizendo à mãe:
- Parabéns por seu filhão, viu?
A mãe olhou para o menino com as lentes daquela mulher e não pode deixar de sorrir. Que coração lindo aquela criança de 10 anos mostrara naquele momento.
Talvez também por isso Jesus tenha alertado que só entrará no Reino dos céus aqueles que tiverem o coração puro como o de uma criança.
E aquela foi a
melhor noite de sábado que tiveram até aquele momento durante a pandemia.
Por Lia Silva
24/04/2021