segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Para viver bem os agostos ...

Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. 

Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas.

Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.

Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. 

E me contou de tempo de esperas.

E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação.

E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. 

Mas tudo a seu tempo. 

Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. 

São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.

O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. 

Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. 

Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.

Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. 

Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. 

Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. 

E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.

Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.

Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.

Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Miryan Lucy de Rezende
Escritora e Educadora Infantil

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Markus Zusak e Marco André Regis

Essa semana eu terminei de ler "A menina que roubava livros" (Markus Zusak). Eu ainda não assisti o filme. 

Nem sei se quero assisti-lo. Os filmes acabam reduzindo o que há de mais belo nos livros.

Gostei da história, mas o que mais chamou-me a atenção foi a narradora Morte. 

Fiquei impressionada com o dom que ela tinha de ver beleza em meio a um mundo de guerra, e de seres humanos tão maus e mesquinhos. 

No cenário da 2ª Guerra Mundial a Morte podia ver cores vibrantes nos homens e na natureza, enxergava a bondade em alguns seres humanos de quem ela carregava as almas. 

A Morte era capaz de reconhecer a beleza da vida. A beleza do mundo. 

Provavelmente minha lente para esta leitura estava impregnada pela teoria de Marco André Regis em sua obra A Magia Erótico-Herética de Rubem Alves, e vi a Morte encontrando a beleza do divino em meio ao caos! 

É possível que nós tenhamos esta mesma visão que a Morte teve na obra de Markus Zusak? 

Somos capazes de ver a beleza e reconhecer o divino mesmo em meio ao caos e à maldade?

 


A obra de Marco André Regis citada acima pode ser adquirida no seguinte endereço:
https://www.kobo.com/us/pt/ebook/a-magia-erotico-heretica-de-rubem-alves

Texto escrito em 23 de maio de 2015


segunda-feira, 20 de março de 2017

Vale Sombrio


“Mesmo que eu ande pelo vale escuro, onde a morte está bem perto, continuo tranquilo e não sinto medo, porque a sua vara e o seu cajado me protegem!” Salmo 23:4

Você já ouviu este salmo, não é mesmo?

Desconfio que todo cristão já o tenha ouvido em algum momento.

Eu mesma o decorei ainda criança e sempre soube recitá-lo a qualquer momento.

No entanto, fico me perguntando sobre o quanto estas palavras fazem sentido para quem as conhece?

Quantos de nós já experimentamos em nosso cotidiano o cuidado desse Pastor?

Quantos já sentimos e percebemos a presença dele enquanto andávamos pelo vale sombrio?

Recentemente eu descobri o poder desta palavra.

Caminhando pelo vale sombrio das lágrimas e lamentando meu destino, de repente, o Pastor usa seu cajado para reorientar-me no caminho.

Ele sussurrou suavemente ao meu ouvido: “não temas enquanto passa por este vale de sombras, eu estou contigo, eu não te abandonei, eu estou aqui pronto para te consolar”.

Foi o refrigério que minha alma precisava naquele momento.

Eu abri os olhos e compreendi: “uau! Então é isso que significa este salmo?”

Sentir a presença dele enquanto eu andava pelo vale trouxe refrigério à minha alma.

Não, a dor não foi embora, eu não saí do vale, mas a certeza de que Ele estava comigo mudou toda a perspectiva daquele caminho.

Ele já não era mais sombrio porque eu não estava sozinha.

Eu não temia mais o desfecho daquele caminho porque a vara dele estava a postos para me defender de todo mal.

O seu cajado estava estendido em minha direção a fim de que eu não me perdesse em meio às lágrimas.

Nada pode trazer mais consolo do que a certeza da presença do Pastor durante a jornada.

Nossas escolhas podem nos levar para caminhos tortuosos, podemos nos ferir e cair.

Mas se nossos olhos estiverem fixos no Pastor de nossa alma, qualquer percurso, mesmo aquele dentro do vale da sombra da morte, será feito em segurança porque nosso Pastor nos ama e não nos abandona.

O vale sombrio pode ser extremamente revelador em nossa caminhada cristã.

É durante o percurso que descobrimos que Deus é real, que a Sua palavra é verdadeira, que podemos confiar Nele, pois Ele é o único capaz de ser Fiel até o fim da jornada.

domingo, 19 de março de 2017

"Endireitar as veredas" dói

"Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas." Provérbios 3:5-6

Endireitar as veredas pode significar um caminho com dor. 

É possível que nem sempre percebamos que estamos andando por veredas tortas. 

Caminhamos e entendemos que estamos indo pelo caminho correto, até que, em determinada esquina da vida, o chão nos falta. 

Só então percebemos que em algum cruzamento nós nos desviamos do caminho que Deus preparara para que trilhássemos. 

Em algum cruzamento nós preferimos nossa própria vontade e passamos a seguir na direção errada.

Mas, quando de fato queremos Deus e o buscamos sinceramente, Ele vai endireitar nossas veredas e isso pode significar perder o que mais amamos, se nós amamos isso mais do que a Deus. 

Endireitar as veredas pode significar cair com a boca no pó e engolir a amarga poeira. 

Pode significar muita dor e lágrimas. Mas também significa ter Deus bem ao lado, segurando nossa mão enquanto levantamos, limpando nossas feridas enquanto com Ele seguimos. 

Saber que Deus está interessado em endireitar nossas veredas, mesmo que isso nos cause dor, é motivo de júbilo, pois mostra que Ele não desistiu de nós e nos quer ao lado dele enquanto caminhamos, mesmo que entre os espinhos da vida. 

Se confiamos nele, se de fato vivemos de acordo com a fé de que Ele está conosco, então pouco importa se dói ou não, mas se Ele está conosco. 

E Ele disse que estaria. Basta confiar e caminhar pelas veredas endireitadas.

Estamos nós dispostos a trilhar pelo novo caminho?

Estamos dispostos a deixar as coisas velhas para trás e seguir com Ele em novidade de vida?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O carro da família

Dias atrás ouvi uma ilustração que até então era-me desconhecida. 

Dizia que nossa família é como um carro e que os quatro pneus representam uma área de nossas vidas, as quais devem ser constantemente monitoradas – enchidas.

São elas: emocional, espiritual, física e financeira. Nenhuma das rodas é mais importante do que a outra. 

As quatro são necessárias para que o carro vá adiante. Se nos dedicamos mais a uma área do que a outra, o carro ficará desalinhado. 

Se ignorarmos que existem quatro rodas, nosso carro não sairá do lugar. 

É fundamental que ambos os cônjuges se esmerem a fim de que as quatro rodas recebam a atenção necessária.

A bíblia lança a responsabilidade do andar deste carro – a família – ao homem. É ele quem deve estar na direção e verificar a manutenção do mesmo. 

A mulher deve ajudar e auxiliar, perceber os ruídos e conversar com seu cônjuge para juntos buscarem uma solução.

Preste atenção nas quatro rodas: preencha todas as lacunas emocionais de sua família. 

Seus filhos também precisam de abraços, beijos, tempo de qualidade e palavras de motivação. 

Seja o líder espiritual de sua casa, ore e leia a bíblia com sua esposa e filhos diariamente. 

Não espere sua esposa lhe pedir um abraço, nem o filho vir socá-lo para ter um contato físico. 

E seja prudente com suas finanças, não assuma dívidas que não possa pagar e trabalhe com diligência para ter o sustento diário, sem ambições altas demais. 

Ambições muito altas tendem a cegar-nos para as sutilezas diárias. O excesso de trabalho (ou de ambição) rouba toda a energia que poderia ser empregada nos outros pneus.

Lembre-se: sua família só seguirá adiante unida se os quatro pneus estiverem uniformes.

Caso eles não estejam corretamente calibrados, vocês não seguirão em segurança, a rotina e o tédio encherão o coração de cada membro da família e, talvez, alguns saltem para fora do carro e você fique sozinho nesta longa jornada da vida...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Minha Felicidade

Minha felicidade tem jeito de filho sorrindo,
E de marido tranquilo;

Tem gosto de pizza compartilhada entre amigos
E de bolo de aniversário inesperado.

Minha felicidade tem o perfume suave das damas-da-noite

Que entra pela janela e arranca um sorriso bobo de meus lábios;

Tem som de criança correndo atrás da bola,

De pássaro cantando no ninho da árvore,

Minha felicidade tem o frescor do vento úmido no dia ensolarado e quente;

Tem a serenidade da cabeça repousada no ombro do amado
Enquanto assistem a aquele filme manjado.

Minha felicidade é hoje, é agora...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quando Deus diz NÃO - Parte 4 de 4


POSSÍVEIS CAUSAS DA NOSSA DIFICULDADE COM O NÃO DE DEUS:
- A nossa dificuldade de crer na existência de um Deus pessoal.
- A nossa dificuldade em aceitar que Deus é soberano – é Ele quem decide e governa TODAS as coisas.
- A nossa dificuldade de confiar na integridade e no caráter de Deus.
POR QUE DEUS DIZ NÃO QUANDO PODERIA DIZER SIM?
- Porque precisamos assumir as consequências de nossos atos – foi assim com Davi, como vimos na parte 1 desta série. Não é possível continuarmos culpando outros ou as circunstâncias por causa das coisas que nos acontecem. Somos os únicos responsáveis pelas escolhas que tomamos.
- Porque precisamos conhecer a suficiência da Sua graça – foi assim com Paulo, como vimos na parte 2 desta série.
- Porque precisamos aprender o caminho à submissão e obediência – foi o que Jesus fez, como vimos na parte 3 desta série.
O CASO DO ANÔNIMO GERASENO – Marcos 5.1-20
O anônimo geraseno era vítima de um problema incomum, porém, recorrente:
“Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. (v.2)
Este homem era obcecado pela morte, era portador de uma força sobrenatural, era violento, mas foi submisso à autoridade de Jesus.
A cura do geraseno foi uma manifestação da autoridade absoluta de Jesus:
“Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou em alta voz: ‘Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!’ Pois Jesus lhe tinha dito: ‘Saia deste homem, espírito imundo.’”
- Por que o endemoniado atormentou-se?
- Por que Jesus perguntou o nome dele? (v.9)
- Por que o expulsou de forma tão direta?
A BÍBLIA DEMONSTRA VÁRIAS PASSAGENS EM QUE A AUTORIDADE DE JESUS SOBRE OS ESPÍRITOS MALIGNOS É EXPRESSA:
Marcos 1.27 – Todos ficaram admirados que perguntavam uns aos outros: o que é isto: um novo ensino – e com autoridade! até aos espíritos imundos ele dá ordens e eles lhe obedece!
Marcos 3.11 – Sempre que os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: “Tu é o Filho de Deus”.
Marcos 3.27 – De fato, ninguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali os seus bens, sem que o amarre. Só então poderá roubar a casa dele.
O QUE ESTE TEXTO NOS ENSINA ACERCA DAS RESPOSTAS DE DEUS?
1. Que o SIM ou o NÃO de Deus não depende dos méritos daqueles que os pedem:
Os demônios imploraram a Jesus que fossem enviados aos porcos e Jesus lhes disse sim, que podiam ir (v12-13)
Quando Jesus estava indo embora, ao entrar no barco, o geraseno, já curado, o procura e pede para ir com ele, mas Jesus lhe diz Não! (v.18-19)
Assim sendo:
- Pare de se culpar. O sim ou não de Deus não tem a ver com o que você fez ou deixou de fazer.
- Pare de barganhar com Deus.
- Pare de exigir o fruto da graça de Deus.
2. Que o sim de Deus nem sempre é sinal de sua aprovação aos nossos desejos e realizações:
Ele deu permissão aos demônios para que fizessem como queriam, e eles foram aos porcos (v.12-13). os demônios não tinham mérito algum para receber o sim de Jesus.
O sim de Deus aos demônios:
- Revelou a fraqueza deles;
- Revelou a vergonha deles;
- Revelou o fim deles.
3. Que o NÃO de Deus nem sempre é sinal de sua rejeição, mas da existência de um propósito maior.
Jesus disse ao geraseno que ele não poderia ir consigo no barco, mas que deveria voltar para casa, para a família e anunciar a todos o que o Senhor havia feito por ele. Como consequência da obediencia do homem, todos que ouviam sobre a maravilhosa libertação que lhe ocorrera ficavam admirados por Jesus. (v. 19-20)
O Não de Deus ao geraseno:
- Revelou o propósito de Deus quanto a sua família – o geraseno estava sem o convívio familiar há muito tempo.
- Revelou o propósito de Deus no anúncio das boas novas àquela cidade (Decápolis)
- Revelou o propósito de Deus na comissão da igreja.
PARA REFLETIR E PRATICAR:
1. Em meio às suas mais profundas necessidades continue clamando pela intervenção poderosa da parte de Deus.
2. Aceite o fato de que ele é Altíssimo e sempre sabe, muito melhor do que nós, o que realmente precisamos.
3. Em meio à um não de Deus, resista à tentação de colocar em cheque o Seu caráter. Ele é justo e bom isso não muda.
4. Esteja atento aos propósitos maiores de Deus e submeta-se à sua vontade através de uma postura profunda de obediência.
Deus não deseja que desistamos de nada quando Ele diz NÃO, antes, deseja que confiemos nele e que continuemos sonhando, mas permitindo que Ele seja o centro e o Senhor de nossas vidas.

palestra ministrada por Denis Hartung Vallongo na Igreja Presbiteriana de Sousas – Campinas – SP.