sábado, 30 de setembro de 2017

Reciprocidade

Ela não almeja luxo

Não se importa se ele anda de ônibus
Ou com o carro do ano.

Ela não espera jantares requintados
Ou restaurantes caros.

Sua alma quer ser amada
Simplesmente amada

Almeja o olho no olho
Os suspiros repetidos na orelha

Deseja confiar-lhe o coração
Sem temer a deslealdade

Ela quer segurar a mão dele
Durante a caminhada

E beijar o sorriso desprevenido
Ela quer ter o primeiro e o último beijo do dia

E descansar em seu peito após o amor

Ela arde para entregar-lhe o corpo
Ela anseia para que lhe tomes a alma

Ela quer que nos detalhes simples do cotidiano

Ele saiba que é amado

E que há reciprocidade

Ela só quer ser amada

Ela só quer amar.

Ela quer ver o por do sol através dos olhos dele

E falar de filosofia como fala

Das safadezas e peripécias do amor

Ela quer pousar em seu olhar

E ali fazer morada

Nadar sem pressa e sem medo

Em sua boca e alma

Quer confiar o coração em suas mãos

Enquanto segura o dele entre os próprios dedos

Ela quer ouvir seus gemidos resultantes do prazer

E fazê-lo perder-se no êxtase

Para depois reencontrá-lo em seus braços

Encontrar-se e perder-se dia após dia

Numa dança segura de amor

Ela só quer ser amada

Ela só quer amar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Para viver bem os agostos ...

Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. 

Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas.

Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.

Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. 

E me contou de tempo de esperas.

E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação.

E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. 

Mas tudo a seu tempo. 

Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. 

São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.

O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. 

Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. 

Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.

Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. 

Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. 

Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. 

E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.

Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.

Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.

Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Miryan Lucy de Rezende
Escritora e Educadora Infantil

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Markus Zusak e Marco André Regis

Essa semana eu terminei de ler "A menina que roubava livros" (Markus Zusak). Eu ainda não assisti o filme. 

Nem sei se quero assisti-lo. Os filmes acabam reduzindo o que há de mais belo nos livros.

Gostei da história, mas o que mais chamou-me a atenção foi a narradora Morte. 

Fiquei impressionada com o dom que ela tinha de ver beleza em meio a um mundo de guerra, e de seres humanos tão maus e mesquinhos. 

No cenário da 2ª Guerra Mundial a Morte podia ver cores vibrantes nos homens e na natureza, enxergava a bondade em alguns seres humanos de quem ela carregava as almas. 

A Morte era capaz de reconhecer a beleza da vida. A beleza do mundo. 

Provavelmente minha lente para esta leitura estava impregnada pela teoria de Marco André Regis em sua obra A Magia Erótico-Herética de Rubem Alves, e vi a Morte encontrando a beleza do divino em meio ao caos! 

É possível que nós tenhamos esta mesma visão que a Morte teve na obra de Markus Zusak? 

Somos capazes de ver a beleza e reconhecer o divino mesmo em meio ao caos e à maldade?

 


A obra de Marco André Regis citada acima pode ser adquirida no seguinte endereço:
https://www.kobo.com/us/pt/ebook/a-magia-erotico-heretica-de-rubem-alves

Texto escrito em 23 de maio de 2015


segunda-feira, 20 de março de 2017

Vale Sombrio


“Mesmo que eu ande pelo vale escuro, onde a morte está bem perto, continuo tranquilo e não sinto medo, porque a sua vara e o seu cajado me protegem!” Salmo 23:4

Você já ouviu este salmo, não é mesmo?

Desconfio que todo cristão já o tenha ouvido em algum momento.

Eu mesma o decorei ainda criança e sempre soube recitá-lo a qualquer momento.

No entanto, fico me perguntando sobre o quanto estas palavras fazem sentido para quem as conhece?

Quantos de nós já experimentamos em nosso cotidiano o cuidado desse Pastor?

Quantos já sentimos e percebemos a presença dele enquanto andávamos pelo vale sombrio?

Recentemente eu descobri o poder desta palavra.

Caminhando pelo vale sombrio das lágrimas e lamentando meu destino, de repente, o Pastor usa seu cajado para reorientar-me no caminho.

Ele sussurrou suavemente ao meu ouvido: “não temas enquanto passa por este vale de sombras, eu estou contigo, eu não te abandonei, eu estou aqui pronto para te consolar”.

Foi o refrigério que minha alma precisava naquele momento.

Eu abri os olhos e compreendi: “uau! Então é isso que significa este salmo?”

Sentir a presença dele enquanto eu andava pelo vale trouxe refrigério à minha alma.

Não, a dor não foi embora, eu não saí do vale, mas a certeza de que Ele estava comigo mudou toda a perspectiva daquele caminho.

Ele já não era mais sombrio porque eu não estava sozinha.

Eu não temia mais o desfecho daquele caminho porque a vara dele estava a postos para me defender de todo mal.

O seu cajado estava estendido em minha direção a fim de que eu não me perdesse em meio às lágrimas.

Nada pode trazer mais consolo do que a certeza da presença do Pastor durante a jornada.

Nossas escolhas podem nos levar para caminhos tortuosos, podemos nos ferir e cair.

Mas se nossos olhos estiverem fixos no Pastor de nossa alma, qualquer percurso, mesmo aquele dentro do vale da sombra da morte, será feito em segurança porque nosso Pastor nos ama e não nos abandona.

O vale sombrio pode ser extremamente revelador em nossa caminhada cristã.

É durante o percurso que descobrimos que Deus é real, que a Sua palavra é verdadeira, que podemos confiar Nele, pois Ele é o único capaz de ser Fiel até o fim da jornada.

domingo, 19 de março de 2017

"Endireitar as veredas" dói

"Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas." Provérbios 3:5-6

Endireitar as veredas pode significar um caminho com dor. 

É possível que nem sempre percebamos que estamos andando por veredas tortas. 

Caminhamos e entendemos que estamos indo pelo caminho correto, até que, em determinada esquina da vida, o chão nos falta. 

Só então percebemos que em algum cruzamento nós nos desviamos do caminho que Deus preparara para que trilhássemos. 

Em algum cruzamento nós preferimos nossa própria vontade e passamos a seguir na direção errada.

Mas, quando de fato queremos Deus e o buscamos sinceramente, Ele vai endireitar nossas veredas e isso pode significar perder o que mais amamos, se nós amamos isso mais do que a Deus. 

Endireitar as veredas pode significar cair com a boca no pó e engolir a amarga poeira. 

Pode significar muita dor e lágrimas. Mas também significa ter Deus bem ao lado, segurando nossa mão enquanto levantamos, limpando nossas feridas enquanto com Ele seguimos. 

Saber que Deus está interessado em endireitar nossas veredas, mesmo que isso nos cause dor, é motivo de júbilo, pois mostra que Ele não desistiu de nós e nos quer ao lado dele enquanto caminhamos, mesmo que entre os espinhos da vida. 

Se confiamos nele, se de fato vivemos de acordo com a fé de que Ele está conosco, então pouco importa se dói ou não, mas se Ele está conosco. 

E Ele disse que estaria. Basta confiar e caminhar pelas veredas endireitadas.

Estamos nós dispostos a trilhar pelo novo caminho?

Estamos dispostos a deixar as coisas velhas para trás e seguir com Ele em novidade de vida?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O carro da família

Dias atrás ouvi uma ilustração que até então era-me desconhecida. 

Dizia que nossa família é como um carro e que os quatro pneus representam uma área de nossas vidas, as quais devem ser constantemente monitoradas – enchidas.

São elas: emocional, espiritual, física e financeira. Nenhuma das rodas é mais importante do que a outra. 

As quatro são necessárias para que o carro vá adiante. Se nos dedicamos mais a uma área do que a outra, o carro ficará desalinhado. 

Se ignorarmos que existem quatro rodas, nosso carro não sairá do lugar. 

É fundamental que ambos os cônjuges se esmerem a fim de que as quatro rodas recebam a atenção necessária.

A bíblia lança a responsabilidade do andar deste carro – a família – ao homem. É ele quem deve estar na direção e verificar a manutenção do mesmo. 

A mulher deve ajudar e auxiliar, perceber os ruídos e conversar com seu cônjuge para juntos buscarem uma solução.

Preste atenção nas quatro rodas: preencha todas as lacunas emocionais de sua família. 

Seus filhos também precisam de abraços, beijos, tempo de qualidade e palavras de motivação. 

Seja o líder espiritual de sua casa, ore e leia a bíblia com sua esposa e filhos diariamente. 

Não espere sua esposa lhe pedir um abraço, nem o filho vir socá-lo para ter um contato físico. 

E seja prudente com suas finanças, não assuma dívidas que não possa pagar e trabalhe com diligência para ter o sustento diário, sem ambições altas demais. 

Ambições muito altas tendem a cegar-nos para as sutilezas diárias. O excesso de trabalho (ou de ambição) rouba toda a energia que poderia ser empregada nos outros pneus.

Lembre-se: sua família só seguirá adiante unida se os quatro pneus estiverem uniformes.

Caso eles não estejam corretamente calibrados, vocês não seguirão em segurança, a rotina e o tédio encherão o coração de cada membro da família e, talvez, alguns saltem para fora do carro e você fique sozinho nesta longa jornada da vida...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Minha Felicidade

Minha felicidade tem jeito de filho sorrindo,
E de marido tranquilo;

Tem gosto de pizza compartilhada entre amigos
E de bolo de aniversário inesperado.

Minha felicidade tem o perfume suave das damas-da-noite

Que entra pela janela e arranca um sorriso bobo de meus lábios;

Tem som de criança correndo atrás da bola,

De pássaro cantando no ninho da árvore,

Minha felicidade tem o frescor do vento úmido no dia ensolarado e quente;

Tem a serenidade da cabeça repousada no ombro do amado
Enquanto assistem a aquele filme manjado.

Minha felicidade é hoje, é agora...