O que dizer sobre a felicidade?
Como defini-la?
Seria um sentimento passageiro, daqueles que sentimos de vez em quando?
Ou seria apenas aquela lembrança saudosa que temos em nossas fantasias?
Como explicar aquele aquecimento no coração quando olhamos para aqueles que amamos? Ou a alegria de saber que fizemos o outro feliz?
Não sei explicar ou conceituar a felicidade.
Mas sei senti-la. Talvez felicidade nem seja a palavra correta para explicar o sentimento, pois sinto que ele vai além desta definição. É um sentimento que vai além das circunstâncias, além da aparência. Mesmo quando a situação em derredor não é das melhores, este sentimento está presente. É um pra lá de contentamento, de preenchimento, é algo sobrepujante.
Estar gerando uma vida dentro de mim faz parte deste sentimento. Saber que um verdadeiro milagre está sendo operado em mim neste exato momento faz-me sentir mais do que privilegiada, extasiada, agraciada....
Não posso esquecer de meu cônjuge. Um homem excepcional. Um ser humano fantástico. Um marido dedicado. Um filho carinhoso. Um companheiro excepcional. Eu sonhava e tinha muitas fantasias a respeito de meu futuro marido. Sempre imaginei a felicidade de ser casada com um homem assim. Ainda bem que não fiquei vivendo apenas na fantasia. Coloquei em oração. Pedi ao Senhor um homem com tais e tantas características para ser meu marido. E o Senhor me ouviu. E o Senhor me respondeu. O que antes era uma fantasia de menina-moça, hoje é a realização de uma mulher.
Ser feliz é servir ao Senhor Jesus. É confiar nele de todo o coração, independente das circunstâncias. Meu caminho não foi apenas de flores. Houve muitas pedras, espinhos e obstáculos pelos quais tive que passar. Caí diversas vezes. Fui ferida e feri outros. Mas não deixei de amar ao meu Senhor. Foi ele quem me levantou todas as vezes e me fortaleceu para continuar. Cheguei aqui. O lugar onde meus sonhos se tornam realidade. Não sou mais apenas uma filha, agora sou esposa e amanhã serei mãe. Tudo muito diferente. Cada fase com sua beleza própria, com suas realizações e sua felicidade.
Sinto alegria ao olhar nos olhos de meu esposo, ao ler seu bilhetinho de bom dia, ao rever seus e-mails apaixonados, ao sentir sua respiração em meus cabelos, ao vê-lo beijar minha barriga e conversar com nosso bebê. Sinto alegria ao olhar pro espelho e ver aquele volumezinho aumentando dia-a-dia, ao ler as mensagens emocionadas de meus pais no celular, ao ouvir o riso alegre de minha irmã ao telefone...enfim,....são tantos detalhes que explodem em uma profusão de alegria multicolorida, que não consigo definir, nomear, citar... sinto que as palavras são insuficientes... mesmo nosso português tão rico, é insuficiente para alguns sentimentos...sensações que aprendemos a chamar de felicidade, alegria, contentamento, extasiamento, mas que agora me parecem tão pequenas e insignificantes diante do esplendor de minha realidade interior...é algo divino. É a explicação mais razoável que encontro. É o divino se movendo em mim!
Acredito que a vida é um eterno compartilhar. Compartilhamos amizades, amores, lágrimas, sorrisos e aquilo que somente nós sabemos existir em nós. Neste blog está um pedacinho de mim. Um pouco daquilo que acredito, sonho, sofro e desejo. Você é bem vindo a este compartilhar!
quarta-feira, 3 de março de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ainda não tenho certeza sobre a idade gestacional de meu bebê, mas estou quase certa que é sete semanas. Não há como ser mais velho, mas pode ser mais novo. Estou interessadíssima em saber como este embrião está se desenvolvendo. Como ele estará neste exato momento. Soube, por leituras que fiz, que ele já se mexe, embora eu não sinta nada.
Não sei descrever a sensação de ter uma vida crescendo de você. É inexplicável. Acho que apenas quem passa por isso pode saber do que estou falando. As mudanças vão além do corpo físico. Parece-me que cresce junto com a barriga um amor, um sentimento de ternura por alguém que ainda nem conhecemos, nem sabemos como será ou quem será. Como é possível amar quem não se conhece? Mas é....simplesmente é....
Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
"Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia." Sl 139:14-16
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Desista
Desista das dores emocionais;
Desista dos traumas infantis;
Desista das culpas impostas - por você ou pelos outros -
Desista do egocentrismo doentio que envenena relacionamentos.
Crescer é abrir mão de si mesmo.
Amadurecer é também morrer para si mesmo.
Para crescer é necessário morrer e matar.
Matar sentimentos negativos que nos aprisionam.
Matar impulsos egoístas que ferem os que nos cercam.
Desistir e morrer...
Para então crescer e amadurecer.
Eis o meio para uma vida plena.
Desista dos traumas infantis;
Desista das culpas impostas - por você ou pelos outros -
Desista do egocentrismo doentio que envenena relacionamentos.
Crescer é abrir mão de si mesmo.
Amadurecer é também morrer para si mesmo.
Para crescer é necessário morrer e matar.
Matar sentimentos negativos que nos aprisionam.
Matar impulsos egoístas que ferem os que nos cercam.
Desistir e morrer...
Para então crescer e amadurecer.
Eis o meio para uma vida plena.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Mudanças...
Estive pensando sobre a diferença que a maturidade fez na minha vida. Desde muito cedo comecei a mudar de endereço. Meus pais mudaram de cidade pelo menos três vezes durante minha infância, depois, ao completar 18 anos, eu mesma inicei uma vida cigana. Durante 5 anos não tive morada certa. Mudei-me para estados diferentes, estudando, estagiando, viajando, trabalhando, evangelizando, curtindo...
Hoje, três décadas depois de meu nascimento e de milhares de kilômetros rodados por este Brasil e exterior, fiz mais uma mudança. Pela primeira vez estou sentindo o peso de não ter local fixo. Não ter uma ‘terra’ pra chamar de minha. É mais do que isso, é o estranhamento com o povo, com a cultura, com os costumes....coisas que antes eu tirava de letra, passava sem perceber, agora me são pesadas, torturantes, enfadonhas.
Acostumar-me com um novo estilo de vida, nova rotina, nova casa, fazer novas amizades, enfim, começar tudo de novo, novamente...
Creio que a juventude e a aventura andam bem juntas, mas quando a maturidade começa a chegar, ela exige um pouco mais de pé no chão, de sensatez. Passar horas com uma mochila nas costas nos aeroportos ou rodoviárias já não parece mais algo tão excitante quanto antes o era.
Agora anseio pelo momento de estar em casa, deitada sossegadamente no sofá, sem se preocupar com nada ou ninguém. Quero sossego, tranquilidade, paz. Chega de aventuras impulsivas, viagens sem destinos, vida de andarilho....quero me fixar, quero pertencer a algum lugar, a um povo, adaptar-me a uma cultura sem me preocupar em ter de esquece-la para readaptar-me a outra depois...
A vida é feita de momentos, mas também é feita de raízes.....
Hoje, três décadas depois de meu nascimento e de milhares de kilômetros rodados por este Brasil e exterior, fiz mais uma mudança. Pela primeira vez estou sentindo o peso de não ter local fixo. Não ter uma ‘terra’ pra chamar de minha. É mais do que isso, é o estranhamento com o povo, com a cultura, com os costumes....coisas que antes eu tirava de letra, passava sem perceber, agora me são pesadas, torturantes, enfadonhas.
Acostumar-me com um novo estilo de vida, nova rotina, nova casa, fazer novas amizades, enfim, começar tudo de novo, novamente...
Creio que a juventude e a aventura andam bem juntas, mas quando a maturidade começa a chegar, ela exige um pouco mais de pé no chão, de sensatez. Passar horas com uma mochila nas costas nos aeroportos ou rodoviárias já não parece mais algo tão excitante quanto antes o era.
Agora anseio pelo momento de estar em casa, deitada sossegadamente no sofá, sem se preocupar com nada ou ninguém. Quero sossego, tranquilidade, paz. Chega de aventuras impulsivas, viagens sem destinos, vida de andarilho....quero me fixar, quero pertencer a algum lugar, a um povo, adaptar-me a uma cultura sem me preocupar em ter de esquece-la para readaptar-me a outra depois...
A vida é feita de momentos, mas também é feita de raízes.....
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
"A decepção ocorre quando direcionamos nosso amor ao alvo errado: ao invés de amar a Deus em primeiro lugar e experimentar sua maravilhosa graça, "amamos" as pessoas de forma egoísta e manipuladora, esperando que atendam às nossas expectativas. esquecemos que deveríamos amar acima de tudo a Deus de todo nosso coração, de toda nossa alma e com toda nossa força. Na verdade, com isso apenas corresponderemos ao amor de Deus, pois ele já nos amou antes mesmo de termos sido criados. Como é bom ter o Senhor nas nossas horas de decepção. Como é bom saber que o Senhor é fiel e permanece presente ainda que todos nos abandone. Como é bom ser amado por Jesus; ele jamais nos decepciona." APS
O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.'Qual é o gosto?' - perguntou o Mestre.'Ruim' - disse o aprendiz.O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago,Então o velho disse:'Beba um pouco dessa água'.Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:'Qual é o gosto?''Bom!'- disse o rapaz.'Você sente o gosto do sal?'- perguntou o Mestre.'Não'- disse o jovem.O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:'A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem, do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo para tornar-se um lago."
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
SOBRE AS OLIMPÍADAS
Lia Silva Gomes
02/10/2009
As Olimpíadas são disputadas desde há muito séculos. Com origem na Grécia antiga, os jogos olímpicos eram frequentemente associados ao culto à beleza, à estética humana e, também relacionados com o culto aos mortos. Os jogos aconteciam de quatro em quatro anos na cidade de Olímpia - que, diferentemente do que afirma o senso comum, não fica aos pés do Monte Olimpo – onde havia um templo de dimensões magníficas, dedicado ao deus Zeus onde se realizavam os jogos esportivos. Era na cidade de Olímpia que os jogos atingiam sua plenitude, em organização e número de participantes, e onde se desenvolveram como competições regulares e de extrema importância para todos os helênicos. As mulheres não eram permitidas nos Jogos Olímpicos, não porque os atletas competissem nus, mas por que a cidade de Olímpia era dedicada a Zeus, sendo uma área sagrada para homens.
Zeus era deus dos deuses, do céu e da terra e senhor do Monte Olimpo que, na mitologia grega é a morada dos ‘Doze Deuses do Olimpo’, os principais deuses do panteão grego. Por aí habitarem, eles ficaram conhecidos como ‘Deuses Olímpicos’. Eles moravam em um imenso palácio de cristais, construído no topo do monte. Alimentavam-se de ambrósia e bebiam o néctar, alimentos exclusivamente divinos, ao som da lira de Apolo, do canto das Musas e da dança das Cárites. Apesar de não haver confirmação mitológica, supõe-se que os deuses olímpicos não ficavam exclusivamente no Olimpo, mais exerciam suas responsabilidades em outros locais, por exemplo, Hades que vive no mundo dos mortos.
Além de Zeus, os outros deuses olímpicos são: Hera: esposa de Zeus, deusa dos deuses, protetora do casamento; Poseídon: deus dos oceanos e mares; Hades: deus do mundo dos mortos; Atena: deusa da guerra justa, da justiça, da sabedoria; Apolo: deus do Sol, das artes e das profecias; Ártemis: deusa da lua e da caça; Afrodite: deusa do amor e da beleza; Ares: deus da guerra; Hefesto: deus do fogo e da metalurgia; Hermes: o mensageiro de Zeus, protetor dos ladrões e comerciantes; Dionísio: deus do teatro, do vinho e das festas. Além destes, havia também os chamados “Deuses menores”, que são: Deméter: deusa da agricultura; Eros: deus do amor; Héstia: deusa do fogo e da família; Éolo: deus dos ventos; Héracles: apenas depois de morto, foi aceito entre os olímpicos.
Ao perceber a agitação brasileira com a vitória do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016, refresquei minha memória com a riquíssima mitologia grega e a história dos jogos Olímpicos. Não há como não se deslumbrar com tanta riqueza de detalhes em uma história tão longínqua. Mas como comparar a população da civilização helênica com a nossa atual? Muita coisa mudou, desde a cultura e desenvolvimento até os valores morais e espirituais. Os antigos eram regidos pela espiritualidade. Tudo que faziam era motivado pela transcendência. A espiritualidade era de cunho coletivo/social e não individual. Quando os homens iam participar dos jogos olímpicos, eles iam para adorar seus deuses e prestar-lhes culto. A multidão encantada e ocupada em ‘adorar’ não percebia as manobras políticas do imperador para continuar no poder.
Nas Olimpíadas de 2016 não teremos deuses mitológicos para venerar. O Brasil possui seus próprios deuses tão fortemente celebrados diariamente. Mas ouso arriscar-me e nomear alguns dos deuses que atualmente a humanidade consagra usando também o esporte como forma de culto. Certamente será adorado o deus Egoísmo, também conhecido como Egocentrismo, uma vez que os jogos são, em sua grande maioria, individuais. Para os esportes em grupo, é o deus Patriotismo que será homenageado. Há também o deus Orgulho, tão presente na vida cotidiana de todos nós. A deusa Arrogância, a Deusa Beleza, o deus Corpo (sarado!), a deusa Força, o deus Superação, a deusa Inveja, o deus Ciúme, o deus Auto-esforço, e outros tantos que você poderá reconhecer se prestar o mínimo de atenção. No final, temos tantos ou mais deuses do que aqueles que havia no Monte Olimpo.
Creio que o mais nocivo destes deuses é o ainda não citado, deus Dinheiro. Este está sempre aliado ao deus Poder. É impressionante o que o governo brasileiro está fazendo pelas Olimpíadas. Com vistas a obter a oportunidade de sediar os jogos Olímpicos, o governo prometeu injetar uma quantidade absurda de dinheiro na cidade do Rio de Janeiro. Os cariocas estão felizes, pois após os jogos, a infra-estrutura da cidade irá melhorar, o transporte público, a segurança e tantas outras melhorias de tirar o chapéu aos nossos representantes políticos! Ah, se não fosse por estas Olimpíadas, a população do Rio de Janeiro nunca poderia receber tantos benefícios! Mas não se iludam: isso tudo é por causa das Olimpíadas, não por causa da população carioca e fluminense! Quem sabe a sociedade deveria unir-se e agradecer aos deuses por tornarem nossos governantes tão generosos, a ponto de liberar tanto dinheiro para melhorias da cidade e benefício de meros cidadãos humanos!
Isso sem falar das manobras políticas que esse evento induz. Não é apenas investimento de dinheiro na capital fluminense. Também não é apenas o que o país irá lucrar com o turismo. Há muito mais em jogo. Há outros deuses mascarados rondando a política. Qual será a principal propaganda política do atual presidente daqui adiante? O que uma minoria de brasileiros vai ganhar com toda esta festa enquanto a maioria continua vivendo em condições miseráveis de sobrevida? Por que não é possível investir tanto dinheiro para acabar com a fome, miséria, falta de educação, de saneamento básico etc, mas é tão fácil empregar em construções megalomaníacas para abrigar desportistas? Mas o povo gosta. O povo quer. O povo aplaude. O povo voltará a votar no presidente popular. E a máxima dos cézares continua a valer no mundo hodierno: “Ao povo, pão e circo”.
Lia Silva Gomes
02/10/2009
As Olimpíadas são disputadas desde há muito séculos. Com origem na Grécia antiga, os jogos olímpicos eram frequentemente associados ao culto à beleza, à estética humana e, também relacionados com o culto aos mortos. Os jogos aconteciam de quatro em quatro anos na cidade de Olímpia - que, diferentemente do que afirma o senso comum, não fica aos pés do Monte Olimpo – onde havia um templo de dimensões magníficas, dedicado ao deus Zeus onde se realizavam os jogos esportivos. Era na cidade de Olímpia que os jogos atingiam sua plenitude, em organização e número de participantes, e onde se desenvolveram como competições regulares e de extrema importância para todos os helênicos. As mulheres não eram permitidas nos Jogos Olímpicos, não porque os atletas competissem nus, mas por que a cidade de Olímpia era dedicada a Zeus, sendo uma área sagrada para homens.
Zeus era deus dos deuses, do céu e da terra e senhor do Monte Olimpo que, na mitologia grega é a morada dos ‘Doze Deuses do Olimpo’, os principais deuses do panteão grego. Por aí habitarem, eles ficaram conhecidos como ‘Deuses Olímpicos’. Eles moravam em um imenso palácio de cristais, construído no topo do monte. Alimentavam-se de ambrósia e bebiam o néctar, alimentos exclusivamente divinos, ao som da lira de Apolo, do canto das Musas e da dança das Cárites. Apesar de não haver confirmação mitológica, supõe-se que os deuses olímpicos não ficavam exclusivamente no Olimpo, mais exerciam suas responsabilidades em outros locais, por exemplo, Hades que vive no mundo dos mortos.
Além de Zeus, os outros deuses olímpicos são: Hera: esposa de Zeus, deusa dos deuses, protetora do casamento; Poseídon: deus dos oceanos e mares; Hades: deus do mundo dos mortos; Atena: deusa da guerra justa, da justiça, da sabedoria; Apolo: deus do Sol, das artes e das profecias; Ártemis: deusa da lua e da caça; Afrodite: deusa do amor e da beleza; Ares: deus da guerra; Hefesto: deus do fogo e da metalurgia; Hermes: o mensageiro de Zeus, protetor dos ladrões e comerciantes; Dionísio: deus do teatro, do vinho e das festas. Além destes, havia também os chamados “Deuses menores”, que são: Deméter: deusa da agricultura; Eros: deus do amor; Héstia: deusa do fogo e da família; Éolo: deus dos ventos; Héracles: apenas depois de morto, foi aceito entre os olímpicos.
Ao perceber a agitação brasileira com a vitória do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016, refresquei minha memória com a riquíssima mitologia grega e a história dos jogos Olímpicos. Não há como não se deslumbrar com tanta riqueza de detalhes em uma história tão longínqua. Mas como comparar a população da civilização helênica com a nossa atual? Muita coisa mudou, desde a cultura e desenvolvimento até os valores morais e espirituais. Os antigos eram regidos pela espiritualidade. Tudo que faziam era motivado pela transcendência. A espiritualidade era de cunho coletivo/social e não individual. Quando os homens iam participar dos jogos olímpicos, eles iam para adorar seus deuses e prestar-lhes culto. A multidão encantada e ocupada em ‘adorar’ não percebia as manobras políticas do imperador para continuar no poder.
Nas Olimpíadas de 2016 não teremos deuses mitológicos para venerar. O Brasil possui seus próprios deuses tão fortemente celebrados diariamente. Mas ouso arriscar-me e nomear alguns dos deuses que atualmente a humanidade consagra usando também o esporte como forma de culto. Certamente será adorado o deus Egoísmo, também conhecido como Egocentrismo, uma vez que os jogos são, em sua grande maioria, individuais. Para os esportes em grupo, é o deus Patriotismo que será homenageado. Há também o deus Orgulho, tão presente na vida cotidiana de todos nós. A deusa Arrogância, a Deusa Beleza, o deus Corpo (sarado!), a deusa Força, o deus Superação, a deusa Inveja, o deus Ciúme, o deus Auto-esforço, e outros tantos que você poderá reconhecer se prestar o mínimo de atenção. No final, temos tantos ou mais deuses do que aqueles que havia no Monte Olimpo.
Creio que o mais nocivo destes deuses é o ainda não citado, deus Dinheiro. Este está sempre aliado ao deus Poder. É impressionante o que o governo brasileiro está fazendo pelas Olimpíadas. Com vistas a obter a oportunidade de sediar os jogos Olímpicos, o governo prometeu injetar uma quantidade absurda de dinheiro na cidade do Rio de Janeiro. Os cariocas estão felizes, pois após os jogos, a infra-estrutura da cidade irá melhorar, o transporte público, a segurança e tantas outras melhorias de tirar o chapéu aos nossos representantes políticos! Ah, se não fosse por estas Olimpíadas, a população do Rio de Janeiro nunca poderia receber tantos benefícios! Mas não se iludam: isso tudo é por causa das Olimpíadas, não por causa da população carioca e fluminense! Quem sabe a sociedade deveria unir-se e agradecer aos deuses por tornarem nossos governantes tão generosos, a ponto de liberar tanto dinheiro para melhorias da cidade e benefício de meros cidadãos humanos!
Isso sem falar das manobras políticas que esse evento induz. Não é apenas investimento de dinheiro na capital fluminense. Também não é apenas o que o país irá lucrar com o turismo. Há muito mais em jogo. Há outros deuses mascarados rondando a política. Qual será a principal propaganda política do atual presidente daqui adiante? O que uma minoria de brasileiros vai ganhar com toda esta festa enquanto a maioria continua vivendo em condições miseráveis de sobrevida? Por que não é possível investir tanto dinheiro para acabar com a fome, miséria, falta de educação, de saneamento básico etc, mas é tão fácil empregar em construções megalomaníacas para abrigar desportistas? Mas o povo gosta. O povo quer. O povo aplaude. O povo voltará a votar no presidente popular. E a máxima dos cézares continua a valer no mundo hodierno: “Ao povo, pão e circo”.
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