quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Arco Íris


O arco íris rasgou as águas do rio e avançou rumo ao cume da montanha. De lá, impulsionou-se em direção ao céu, o mais alto que pode, e então começou sua curva colorida, descendo em direção ao mar, bem acima das montanhas. Depois, em um majestoso mergulho, desapareceu nas salgadas águas. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Espetáculos


Hoje eu percebi que perdemos alguns espetáculos da vida por pura preguiça de observar. Não tenho o costume de acordar cedo. É pela manhã que sinto estar no melhor do meu sono, já que demoro muito a dormir quando me deito. Entretanto, ao me olhar no espelho ultimamente, comecei a perceber que precisava fazer algo. Estou crescendo em um ritmo tão acelerado quanto o meu filho de 2 anos. A diferença entre nós é que meu crescimento não é para cima. Sendo assim, o melhor momento que encontrei para exercitar-me é pela manhã, quando meu marido tem disponibilidade de tempo para estar com nosso bebê.
Por isso, hoje, pela segunda manhã consecutiva, levantei-me antes das 7:00 e rumei à praia para caminhar. Ontem eu estava muito bem disposta, era o primeiro dia e até consegui dar três piques e correr. Mas hoje, apesar de ter acordado com um pouco mais de facilidade, foi mais difícil correr, de modo que fui caminhando, no ritmo mais acelerado possível.
Andei de encontro ao sol, que nascia. E eis ali, atrás da linha do horizonte, o maior e mais belo espetáculo diário da natureza. Sou incapaz de descrever aquela beleza. Neste momento posso apenas recordar as sensações que me tomaram ao contemplar aquela beleza de raios esparramando-se por todo o mar e céu. Assisti àquilo tudo boquiaberta, pensando que todas as manhãs acontece a mesma coisa, o espetáculo está sempre ali, sendo apresentado para quem quiser ver. Eu é que preferia ficar em casa dormindo.
Apercebi-me então, que há outros espetáculos e maravilhas dos quais nós nos privamos por causa de nossos “mimimis”, nossos resmungos, nossos problemas. É tão fácil – e mais prático – viver ensimesmado, rodeado por futilidades. Por que não deixamos de lado nossas frustrações e decidimos apreciar as belezas que o Criador disponibilizou a nós?
Os espetáculos acontecem o tempo todo à nossa volta. Cabe a nós observarmos. Cabe a nós usarmos as lentes corretas para enxergar a beleza e apreciá-la. Não há nada mais grandioso do que as maravilhas do Criador.

domingo, 22 de julho de 2012

Por Falar em Amor...


O que falar sobre o amor sem cair na vala comum?
Falar de amor parece ser o tema mais fácil, que qualquer um pode discorrer. Afinal, cada qual tem seu sentimento único sobre o qual pode teorizar.
Mas ultimamente vem amadurecendo em mim a ideia do amor que não é mero sentimentalismo. Todos falam sobre sentir amor, fazer amor é entrelaçar os corpos.
Não é só isso. Não pode ser. Se for, é pouco. Entendo amor como algo que vai muito além desta mesmice que é descrita há séculos. Amor é aquilo que nos faz continuar ao lado da pessoa mesmo quando sentimento se esvai. Amor é aquilo que te faz perdoar o outro mesmo quando você está certa e o outro está errado. Amor é aquilo que te move a erguer os braços e ajudar aquele que nada tem para te dar em troca. Amor é aquilo que te faz enfrentar o medo e estender a mão ao mendigo deitado na calçada. Amor é aquilo que desperta em você o desejo do autosacrifício em benefício do outro.
Ter determinados sentimentos bons em relação ao outro não é amor. O amor leva à ação. O amor não é dado como recompensa porque o outro foi bonzinho ou porque ele nos faz feliz. O que damos em troca por merecimento é gratidão. O amor não demanda merecimento. Ele é incondicional e imerecido.
Quando ainda não me havia sido revelado tal amor, cheguei a dizer sobre alguém: “fulano não é amável”. Eu achava que ele não era digno de meu amor. Mas hoje sei que ninguém o é. Nem mesmo eu sou digna de ser amada. Não porque sou uma pessoa má. Até que sou bem legalzinha, sem falsa modéstia. Mas isso não me dá o direito de ser amada por ninguém.
Mas há algumas pessoas que estão ao meu lado, que me ajudam, que estendem a mão, que fazem questão de demonstrar boas maneiras para comigo, mesmo conhecendo meus pontos fracos e meus defeitos. O que faz estas pessoas quererem continuar ao meu lado mesmo conhecendo meu lado feio? O amor.
A partir disso eu percebo que tenho amado pouco. Tem sido fácil amar meu marido e filho porque além de eu querer amá-los, eles são maravilhosos para mim. Mas eu tenho amado pouco aqueles que nada me oferecem. Nos termos descritos acima, chego à conclusão que não tenho amado ninguém. 
Amor não é sentimento, é decisão. Decidir amar alguém nos leva à ação. Amor sem ação não é amor. É sentimentalismo barato. Falar de amor é fácil. Demonstrar amor em atos é outra história.
A bíblia diz que Deus amou o homem. E o que Ele fez a seguir? Resgatou-o da vida de escravidão do pecado no qual o homem vivia. Em Jesus, Deus morreu para libertar aqueles à quem Ele amou.
É somente em Jesus que podemos viver um amor altruísta, um amor de atitudes e não de meras palavras. Eu preciso e quero amar mais. E você? 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Menino-Homem

Experimento uma nova sensação de encantamento. Li alguns textos em um  blog de alguém que até alguns minutos atrás ainda era um menino suado e traquina em minha memória. Textos poéticos, sensíveis, palavras que apreendem a sutileza da vida e que poucos conseguem captar com tanta beleza e expressividade. 
Surpreendo-me porque aquele menino suado e tímido não prometia, pelo menos aos meus olhos quase longínquos que o observavam, tanto talento e sensibilidade. Os textos que agora leio são de um jovem maduro, um homem profundamente apaixonado por seu Criador, que dialoga com o Pai e consegue captar Sua graça no mesmo espelho que percebe a insignificância humana. Textos otimistas, cheios de lírica e grandeza. 
Sinto um orgulho violento ao lembrar do menino e ver o homem que hoje é. Chego a pensar: "que meu filho seja assim também". Então penso em sua mãe, em seu pai, que foi meu professor, e posso entender o que talvez estejam sentindo pelo filho. Que sensação inexplicável é essa de se ver um menino transformar-se em tão lindo homem? 
Quem ler seus posts no blog certamente irá gostar, sentirá o gosto da beleza literária e da sensibilidade humana. Mas só quem o conheceu quando menino poderá sentir o que sinto agora e mal consigo expressar. Mais uma vez encontro-me na estrada do sentimento inexpressível. 
Só tenho uma coisa a dizer ao menino que vive em minhas lembranças: Rafinha, sou sua fã! 
Se você quiser conhecer seus textos, não se arrependerá: http://rafaeldoamaral.blogspot.com.br/

segunda-feira, 5 de março de 2012

O inimaginável pode virar Felicidade

Até pouco tempo atrás eu não imaginava ter filhos. Depois passei a desejá-los e hoje que tenho meu primeiro filho não consigo mais imaginar minha vida sem ele. O que antes era inimaginável agora é sinônimo de felicidade.
Ter uma família e viver em paz com ela preenche totalmente nosso coração. Ontem estávamos reunidos, nós três, nossa família, brincando de roda. Cantamos, brincamos, rolamos no chão, gargalhamos, nossos olhos - meu e de meu esposo - encheram-se de lágrimas felizes somente por contemplar a alegria estampada no semblante de nosso filho. Uma brincadeira tão simples, tão antiga, mas que nos trouxe tanta felicidade!!!
Como é bom ter filhos! como é bom ter um marido amoroso! como é bom ter uma família em sintonia!! Foram momentos breves que agora são eternos, em minha memória, em meu coração.
O inimaginável agora é felicidade!!!
Obrigada, Doador da Vida, por ser tão Bondoso comigo e com minha família!! AMO DEMAIS!!!!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fracasso e Sucesso

27 de fevereiro de 2012 – 2ª feira.

A primeira notícia que li hoje foi sobre o assassinato de Dom Robinson Cavalcanti e sua esposa Miriam, ocorrido ontem pelo próprio filho, usuário de drogas. O jovem de 29 anos chegou ao Brasil há 15 dias, veio deportado dos Estados Unidos, onde vivia desde os 16 anos, por envolvimento em crimes e drogas. É chocante ler tais notícias. Especialmente quando ocorrem entre gente da gente. Não tive a honra de conhecer Dom Robinson pessoalmente, mas li vários de seus trabalhos e estudei seus livros. Era um expoente no meio evangélico. Trabalhava no meio social, político, religioso, sempre com muita ética e responsabilidade.

Os cristãos estão chocados com a brutalidade da morte do casal e acabamos nos perguntando: por que assim? Sabemos que para o cristão a morte é lucro, mas de uma forma tão trágica?

Lembrei-me de alguns personagens bíblicos que tiveram problemas com seus filhos. Dois, em especial, saltaram à minha mente: Davi e Samuel. Um rei segundo o coração de Deus e e um profeta destemido. Ambos fracassaram como pais. Ambos viram a tragédia em seu lar por causa do mal comportamento dos filhos. Ambos viram os filhos morrerem tragicamente. Os ministros de Deus não estão imunes ao fracasso doméstico e às tragédias.

Não sei a história de Robinson Cavalcanti, sei apenas que o filho assassino era adotado, foi morar longe da família ainda adolescente e quando voltou, totalmente drogado, em meio a uma discussão, assassinou pai e mãe. Não ouso, nem de longe, julgar a família. Quem sou eu? “Menos que o verme do cocô do cavalo”, como gostava de definir o professor Ariovaldo Ramos. Não tenho pretensão alguma de fazer julgamentos sobre a vida familiar do Reverendo. O episódio apenas me fez refletir sobre o sucesso e o fracasso na família e no ministério.

Não são poucas as pessoas com as quais convivi e que ainda têm um minstério próspero, profícuo e muito bonito, mas não têm tempo para os filhos, não tem intimidade com a esposa/marido. O ministério toma todo o tempo que poderia ser dividido com a família. Parece-me que foi mais ou menos assim com Davi e Samuel. Homens de Deus que fracassaram como pais. Todos estamos sujeitos a este erro.

O ministério é lindo, as pessoas precisam de nós, temos uma necessidade de nos doar, de ajudar, de fazer mais pelo Reino. Não há nada de errado nisso, pelo contrário, é digno e necessário. Mas se o ministério toma todo nosso tempo e forças, a ponto de negligenciarmos a família, então fracassamos.

A igreja não é mais importante que os filhos que Deus nos deu. O ministério não é mais importante do que a esposa/marido que temos. Nosso primeiro ministério é em casa, com nossa família. Se assim não for, muito sofrimento, dor e angústia nos aguardará em casa. Que o digam Davi e Samuel.....

Oro para que Deus conforte o coração de todos os cristãos sinceros, que sofrem com a perda de amados, com as tragédias domiciliares e que o Espírito Santo seja nosso Bálsamo e Guia, todos os dias.

Amém.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Lembranças do dia D

Há 4 anos atrás eu entrava na igreja – como fazia todos os domingos pela manhã – chorando e desanimada. Em meu íntimo havia um turbilhão de emoções contraditórias. Desistindo de um relacionamento fracassado, almejando encontrar um companheiro para todas as horas e tendo que desistir de um pretendente porque ele não amava a Cristo. A princípio pode parecer uma decisão fácil de se tomar quando se ama a Jesus, mas quando se está sozinha há tanto tempo, almejando ser amada, acredite, não é uma decisão fácil. Foi com esse conflito que adentrei à igreja naquele domingo ensolarado 12 de janeiro de 2008. Por ser a igreja do Nazareno de Campinas muito grande, as pessoas costumam sentar sempre nos mesmos lugares, com seus grupos de interesse. Mas eu não queria que ninguém visse minhas lágrimas naquela manhã. Fui sentar-me do lado oposto, onde ninguém me conheceria. E foi lá que presente de Deus estava assentado. Eu o vi assim que escolhi um lugar para sentar. Ele estava assentado logo atrás de mim. Mas sem querer muita conversa naquele momento, exceto com Deus, ajoelhei-me e derramei minha alma aos pés do Pai Celeste. Disse-lhe que estava cansada, triste, sedenta para ser amada e amar. Mas que antes de amar um homem, eu O amava, e queria obededecer-lhe e por isso abriria mão daquele relacionamente antes mesmo que começasse. Mas, petulante, pedi uma prova de que Papai não havia esquecido-se de mim, que Ele tinha um bom homem para ser meu marido, e que valeria a pena eu esperar.

O culto começou, levantei-me para acompanhar os louvores. “Vire-se para o irmão ao seu lado e dê bom dia, a paz do Senhor!”, disse o ministro de louvor. Era a minha chance. Cumprimentei os que ao meu lado estavam e depois virei-me para trás, para cumprimentar aquele moço bonito, alto, moreno, careca, com óculos e cara de intelectual. Ele segurou minha mão estendida com suas duas mãos, olhou bem dentro de meus olhos e respondeu ao meu: “Deus te abençoe” com um sonoro: “A nós, a nós”. Não sei se foram as palavras, ou o olhar, mas naquele exato instante algo imprimiu-se em minha alma e eu soube que ele seria mais que um desconhecido. Ao término do culto ambos fizemos de tudo para inciar uma conversa e eu usei meu emprego como enredo e desculpa para deixar um telefone, pois ele dissera se interessar muito pelo ramo em que eu atuava. Pois bem, ao término da pequena conversa, já na calçada, apresentações feitas, contato em mãos, atravessei a rua para comprar meu almoço dominical na padaria em frente a igreja (torta de frango) e pensei: “Senhor, tu me deste o sinal que te pedi. Obrigada por teu cuidado e amor. Mesmo que esse moço nunca me ligue e eu nunca mais o veja, eu entendi seu recado: o Senhor tem alguém especial para mim, vai valer a pena eu esperar”.

Segui para casa com minha tortinha de frango e um alívio que há muito não sentia. Eu era amada por meu Papai. Eu lhe dissera que queria amá-lo mais do que amaria um homem, e Ele imiediatamente mostrou seu amor por mim. Voltei para o culto da noite e sentei-me no mesmo lugar da manhã, para tentar reencontrá-lo, mas ele não estava lá. Paciência. Deus tem o melhor para mim.

Após o culto fui para casa, o que não era muito comum nesta época, pois era o momento que a turma se reunia para lanchar em algum lugar. Não fui. Precisava de silêncio. E então, quase 22h00 chega uma mensagem no celular. Era ele. Dizia: “foi um prazer te conhecer. Você alegrou meu coração.” Nossa! Foi direto no coração! Respondi a mensagem dizendo que fora ao culto da noite e não o encontrara. Esperei por nova mensagem, mas veio o telefonema. Conversamos por algum tempo, suficiente para marcar encontro para o outro dia, plena segunda feira 13 de janeiro de 2008.

O passeio foi na Lagoa do Taquaral, onde as palavras principais, que fizeram o relacionamento acontecer foram: “Não estou aqui para ser apenas seu amigo. Procuro alguém para me ajudar a lançar os alicerces de minha vida. Você aceita vir comigo à esta construção?” Respondi, como boa e velha crente: “podemos orar a este respeito”, imaginando que passaríamos alguns dias em oração. Mas ele respondeu: “Claro” e pegando minhas mãos, segurou-as com as suas e orou ali mesmo, no meio do parque, pedindo a benção de Deus sobre nosso relacionamento. Terminada a oração, pegou meu rosto com suas duas mãos e me beijou. Simples assim.

E lá se foram 4 anos desde então. Já vivemos tantas aventuras juntos que parece ser muito mais do que 4 anos. Antagonicamente, parece que estes fatos acima narrados acabaram de acontecer. Não temos vivido apenas de sorrisos e amores. Temos passado por momentos difíceis também, mas não há nada que não seja superado quando há amor, compreensão e altruísmo. Não vivo para ser feliz com ele e nem para fazê-lo feliz. Procuro ser feliz com meu Salvador e partilhar desta felicidade com meu companheiro. Não coloco nos ombros dele – e nem ele nos meus – a responsabilidade pela felicidade. Ser feliz é uma questão de relacionamento espiritual com Deus e, portanto, individual. Mas buscamos satisfazer primeiro o outro e depois nós mesmos, deixando o egoísmo de lado. Tem dado muito certo. Nem sempre é fácil, muitas vezes pensar no outro antes de si mesmo exige muita força de vontade e disciplina. Mas nenhuma vez que abri mão de mim mesma fiquei sem ser recompensada.

Além de nosso relacionamento abençoado e alegre, Deus presentou-nos com um filho que é maravilhoso! Nossos sorrisos se multiplicam cada vez que olhamos para ele e vemos o amor de Deus por nós em nos presentear com tão grande tesouro! Somos uma família que se ama, e isso é tudo que pedimos a Deus naquele fim de tarde de 13 de janeiro de 2008!

Louvado seja Deus, por estes 4 anos de união, por nosso filho lindo e por nossa família abençoada!!! Que venham muitos outros múltiplos de quatro pela frente! Soli Deo Glori.