sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Desista

Desista das dores emocionais;
Desista dos traumas infantis;
Desista das culpas impostas - por você ou pelos outros -
Desista do egocentrismo doentio que envenena relacionamentos.
Crescer é abrir mão de si mesmo.
Amadurecer é também morrer para si mesmo.
Para crescer é necessário morrer e matar.
Matar sentimentos negativos que nos aprisionam.
Matar impulsos egoístas que ferem os que nos cercam.
Desistir e morrer...
Para então crescer e amadurecer.
Eis o meio para uma vida plena.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mudanças...

Estive pensando sobre a diferença que a maturidade fez na minha vida. Desde muito cedo comecei a mudar de endereço. Meus pais mudaram de cidade pelo menos três vezes durante minha infância, depois, ao completar 18 anos, eu mesma inicei uma vida cigana. Durante 5 anos não tive morada certa. Mudei-me para estados diferentes, estudando, estagiando, viajando, trabalhando, evangelizando, curtindo...
Hoje, três décadas depois de meu nascimento e de milhares de kilômetros rodados por este Brasil e exterior, fiz mais uma mudança. Pela primeira vez estou sentindo o peso de não ter local fixo. Não ter uma ‘terra’ pra chamar de minha. É mais do que isso, é o estranhamento com o povo, com a cultura, com os costumes....coisas que antes eu tirava de letra, passava sem perceber, agora me são pesadas, torturantes, enfadonhas.
Acostumar-me com um novo estilo de vida, nova rotina, nova casa, fazer novas amizades, enfim, começar tudo de novo, novamente...
Creio que a juventude e a aventura andam bem juntas, mas quando a maturidade começa a chegar, ela exige um pouco mais de pé no chão, de sensatez. Passar horas com uma mochila nas costas nos aeroportos ou rodoviárias já não parece mais algo tão excitante quanto antes o era.
Agora anseio pelo momento de estar em casa, deitada sossegadamente no sofá, sem se preocupar com nada ou ninguém. Quero sossego, tranquilidade, paz. Chega de aventuras impulsivas, viagens sem destinos, vida de andarilho....quero me fixar, quero pertencer a algum lugar, a um povo, adaptar-me a uma cultura sem me preocupar em ter de esquece-la para readaptar-me a outra depois...
A vida é feita de momentos, mas também é feita de raízes.....

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"A decepção ocorre quando direcionamos nosso amor ao alvo errado: ao invés de amar a Deus em primeiro lugar e experimentar sua maravilhosa graça, "amamos" as pessoas de forma egoísta e manipuladora, esperando que atendam às nossas expectativas. esquecemos que deveríamos amar acima de tudo a Deus de todo nosso coração, de toda nossa alma e com toda nossa força. Na verdade, com isso apenas corresponderemos ao amor de Deus, pois ele já nos amou antes mesmo de termos sido criados. Como é bom ter o Senhor nas nossas horas de decepção. Como é bom saber que o Senhor é fiel e permanece presente ainda que todos nos abandone. Como é bom ser amado por Jesus; ele jamais nos decepciona." APS
O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.'Qual é o gosto?' - perguntou o Mestre.'Ruim' - disse o aprendiz.O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago,Então o velho disse:'Beba um pouco dessa água'.Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:'Qual é o gosto?''Bom!'- disse o rapaz.'Você sente o gosto do sal?'- perguntou o Mestre.'Não'- disse o jovem.O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:'A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem, do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo para tornar-se um lago."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

SOBRE AS OLIMPÍADAS
Lia Silva Gomes
02/10/2009
As Olimpíadas são disputadas desde há muito séculos. Com origem na Grécia antiga, os jogos olímpicos eram frequentemente associados ao culto à beleza, à estética humana e, também relacionados com o culto aos mortos. Os jogos aconteciam de quatro em quatro anos na cidade de Olímpia - que, diferentemente do que afirma o senso comum, não fica aos pés do Monte Olimpo – onde havia um templo de dimensões magníficas, dedicado ao deus Zeus onde se realizavam os jogos esportivos. Era na cidade de Olímpia que os jogos atingiam sua plenitude, em organização e número de participantes, e onde se desenvolveram como competições regulares e de extrema importância para todos os helênicos. As mulheres não eram permitidas nos Jogos Olímpicos, não porque os atletas competissem nus, mas por que a cidade de Olímpia era dedicada a Zeus, sendo uma área sagrada para homens.
Zeus era deus dos deuses, do céu e da terra e senhor do Monte Olimpo que, na mitologia grega é a morada dos ‘Doze Deuses do Olimpo’, os principais deuses do panteão grego. Por aí habitarem, eles ficaram conhecidos como ‘Deuses Olímpicos’. Eles moravam em um imenso palácio de cristais, construído no topo do monte. Alimentavam-se de ambrósia e bebiam o néctar, alimentos exclusivamente divinos, ao som da lira de Apolo, do canto das Musas e da dança das Cárites. Apesar de não haver confirmação mitológica, supõe-se que os deuses olímpicos não ficavam exclusivamente no Olimpo, mais exerciam suas responsabilidades em outros locais, por exemplo, Hades que vive no mundo dos mortos.
Além de Zeus, os outros deuses olímpicos são: Hera: esposa de Zeus, deusa dos deuses, protetora do casamento; Poseídon: deus dos oceanos e mares; Hades: deus do mundo dos mortos; Atena: deusa da guerra justa, da justiça, da sabedoria; Apolo: deus do Sol, das artes e das profecias; Ártemis: deusa da lua e da caça; Afrodite: deusa do amor e da beleza; Ares: deus da guerra; Hefesto: deus do fogo e da metalurgia; Hermes: o mensageiro de Zeus, protetor dos ladrões e comerciantes; Dionísio: deus do teatro, do vinho e das festas. Além destes, havia também os chamados “Deuses menores”, que são: Deméter: deusa da agricultura; Eros: deus do amor; Héstia: deusa do fogo e da família; Éolo: deus dos ventos; Héracles: apenas depois de morto, foi aceito entre os olímpicos.
Ao perceber a agitação brasileira com a vitória do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016, refresquei minha memória com a riquíssima mitologia grega e a história dos jogos Olímpicos. Não há como não se deslumbrar com tanta riqueza de detalhes em uma história tão longínqua. Mas como comparar a população da civilização helênica com a nossa atual? Muita coisa mudou, desde a cultura e desenvolvimento até os valores morais e espirituais. Os antigos eram regidos pela espiritualidade. Tudo que faziam era motivado pela transcendência. A espiritualidade era de cunho coletivo/social e não individual. Quando os homens iam participar dos jogos olímpicos, eles iam para adorar seus deuses e prestar-lhes culto. A multidão encantada e ocupada em ‘adorar’ não percebia as manobras políticas do imperador para continuar no poder.
Nas Olimpíadas de 2016 não teremos deuses mitológicos para venerar. O Brasil possui seus próprios deuses tão fortemente celebrados diariamente. Mas ouso arriscar-me e nomear alguns dos deuses que atualmente a humanidade consagra usando também o esporte como forma de culto. Certamente será adorado o deus Egoísmo, também conhecido como Egocentrismo, uma vez que os jogos são, em sua grande maioria, individuais. Para os esportes em grupo, é o deus Patriotismo que será homenageado. Há também o deus Orgulho, tão presente na vida cotidiana de todos nós. A deusa Arrogância, a Deusa Beleza, o deus Corpo (sarado!), a deusa Força, o deus Superação, a deusa Inveja, o deus Ciúme, o deus Auto-esforço, e outros tantos que você poderá reconhecer se prestar o mínimo de atenção. No final, temos tantos ou mais deuses do que aqueles que havia no Monte Olimpo.
Creio que o mais nocivo destes deuses é o ainda não citado, deus Dinheiro. Este está sempre aliado ao deus Poder. É impressionante o que o governo brasileiro está fazendo pelas Olimpíadas. Com vistas a obter a oportunidade de sediar os jogos Olímpicos, o governo prometeu injetar uma quantidade absurda de dinheiro na cidade do Rio de Janeiro. Os cariocas estão felizes, pois após os jogos, a infra-estrutura da cidade irá melhorar, o transporte público, a segurança e tantas outras melhorias de tirar o chapéu aos nossos representantes políticos! Ah, se não fosse por estas Olimpíadas, a população do Rio de Janeiro nunca poderia receber tantos benefícios! Mas não se iludam: isso tudo é por causa das Olimpíadas, não por causa da população carioca e fluminense! Quem sabe a sociedade deveria unir-se e agradecer aos deuses por tornarem nossos governantes tão generosos, a ponto de liberar tanto dinheiro para melhorias da cidade e benefício de meros cidadãos humanos!
Isso sem falar das manobras políticas que esse evento induz. Não é apenas investimento de dinheiro na capital fluminense. Também não é apenas o que o país irá lucrar com o turismo. Há muito mais em jogo. Há outros deuses mascarados rondando a política. Qual será a principal propaganda política do atual presidente daqui adiante? O que uma minoria de brasileiros vai ganhar com toda esta festa enquanto a maioria continua vivendo em condições miseráveis de sobrevida? Por que não é possível investir tanto dinheiro para acabar com a fome, miséria, falta de educação, de saneamento básico etc, mas é tão fácil empregar em construções megalomaníacas para abrigar desportistas? Mas o povo gosta. O povo quer. O povo aplaude. O povo voltará a votar no presidente popular. E a máxima dos cézares continua a valer no mundo hodierno: “Ao povo, pão e circo”.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

VOCÊ

Tua boca, tua cor,
tua dedicação, tua determinação,
tua espiritualidade, tua força,
tua impaciência, tua inteligência,
tuas lágrimas, tua língua,
tuas mãos, tua oração,
tuas palavras, tua pele, tuas pernas,
tua personalidade, tua voz, tua paciência...

Teus cabelos – ou a falta deles –,
teus cafunés, teu calor,
teu carinho, teu cheiro,
teus conselhos, teu cuidado,
teus dedos, teus dentes, teu desejo, teu desenho,
teu empenho, teu gosto,
teu humor, teus mimos,
teu olhar, teus olhos,
teus pelos, teus pés,
teu riso, teu timbre...

Meras palavras. Mais que palavras. É você. Tudo isso é você. Palavras que constituem um homem. Um homem que eu conheço, admiro, amo, desejo... Um homem maravilhoso, com o qual eu desejo viver. Para quem desejo dar filhos, Um homem que quero respeitar e amar até meu último suspiro de vida. És mais que um homem, És o presente de Deus para minha vida. És meu companheiro, Meu amigo, Meu namorado, Meu noivo, Meu esposo almejado, Meu homem sonhado, Meu amante desejado. Unir-me a ti é muito mais do que assinar um documento, É fundir nossas almas, Unificar nossos corpos, Intensificar nossos sonhos, Planejar um só futuro, Ter um só desejo, Um só alvo, Uma só fé, Uma só vida.... Te amo, Te amarei, Hoje mais que ontem e amanhã mais que hoje.... Que Deus seja honrado por causa de nossa união, Que pessoas sejam abençoadas por causa de nosso amor, Que o Reino dos Céus seja povoado pelos frutos de nosso relacionamento.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O pássaro e o gato

Era uma vez um pássaro que só tinha uma vida. Ele era feliz. Vivia voando de um lado para outro. Procurava seu alimento, cantava maravilhosamente e se divertia na praça onde vivia. O que ele mais gostava de fazer era encantar as crianças com seu canto. Elas paravam na praça para ouvi-lo e sorriam e corriam e pulavam e se alegravam com sua música. Os velhinhos que vinham à praça todos os dias ler o jornal ou jogar seu carteado, também amavam ouvir seu canto. À estes, a música do pássaro trazia doces lembranças. Memórias de uma infância no campo, de um silêncio quebrado pelos ruídos próprios da natureza. E assim o pequeno e frágil pássaro gastava seus dias: feliz a encantar todos.
Mas até mesmo um encantador passarinho tem seus inimigos. Não porque os mereça ou porque tenha feito algo para conquistá-los, apenas porque os inimigos existem e estão rondando por aí, esperando alguém a quem atacar. Também vivia naquela praça um gatinho abandonado. Ele nunca conheceu seus pais, nunca viu seus irmãos, tampouco sabe como foi parar ali. Tudo que sabe é que esta praça é seu mundo e nem todos que por ali passam são seus amigos. Ele precisa lutar para sobreviver. Nada vem de graça. Nem as migalhas dos pães das crianças ou os restos das pipocas dos vovôs. Vez ou outra, algumas solitárias senhoras passam por ali e deixam um punhado de ração no chão para o pobre gatinho. Mas isso, para ele, é uma humilhação: depender de velhas senhoras solitárias! Ele prefere encontrar sua própria comida. Conforme foi crescendo sozinho nas ruas, o gatinho foi aprendendo as manhas e as traquinagens para se safar e garantir ‘o pão nosso de cada dia’. Um dia assustava uma criança para pegar seu lanchinho, outro dia escalava o muro e a janela do vizinho para ter acesso à torta. Certo dia atacou um velhinho para comer a salsicha de seu cachorro quente. Tudo valia a pena para o bichano. Não apenas para satisfazer suas necessidades, mas pelo simples prazer de se sentir melhor e superior aos outros, mais esperto, talvez.
Há alguns dias o gatinho estava de olho em um passarinho, que insistia em cantar, cantar, cantar e encantar a todos que por ali passavam. Que raio de felicidade era essa? Tinha de dar um jeito de acabar com aquilo. Passou a manhã imaginando um meio eficaz de escalar a árvore e morder seu pescoçinho. Mas não precisou executar seu plano. Um lindo menino, de macacãozinho jeans e bonezinho xadrez que mal sabia falar, atraiu a atenção do inocente passarinho, que, inocente aos perigos que o gatuno oferecia, desceu aos ramos das folhagens rasteiras para se exibir à criança, quando em um único golpe, o gatinho acertou sua pescoço, cravou seus dentes através da penugem e sentiu em sua língua o último suspiro do dócil pássaro.
Imediatamente a criança iniciou um choro sem fim. O gato nem se importou com o humano emocionado. Seguiu com seu troféu entre os dentes, atravessou a rua, e, debaixo do arbusto, longe dos olhares curiosos, saboreou seu almoço, com orgulho, com alegria, com o contentamento que apenas os mais poderosos sentem quando destroem alguém que estava abaixo dele.
Mas o passarinho não estava acima do gato? Não era feliz e encantador? Não vivia voando alegre, contente por alegrar a vida dos humanos? Sim, o pássaro estava acima, em todos os sentidos. Mas mesmo os que nada devem, os que nada tem a temer, os que são bons e ordeiros, também chegarão ao fim. Todos se vão um dia. Assim como o gato também irá. É só uma questão de tempo. Bons e maus, felizes e amargurados, todos terão seu dia final. Uns antes, outros depois, mas todos irão. A felicidade do gatuno durará até o dia que um cão simples e educado, que por natureza, aprendeu a não gostar de gatos, aparecer pela praça e resolver que aquele será o último dia do gatinho amargurado.
Qualquer semelhança com a vida dos humanos, terá sido mera coincidência.