segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Foco no positivo


Quando eu estava no terceiro ano do curso de Teologia tive uma professora que marcou imensamente minha vida. Como tantas outras pessoas, eu também vivia em um círculo vicioso de críticas e maledicências. A professora Adriana foi a primeira pessoa que conheci que havia feito uma escolha de olhar apenas o lado positivo das pessoas e das circunstâncias. Alguns de meus colegas a achavam tola, mas eu sempre a admirei demais. Eu via muitos defeitos em meus colegas e sempre comentava sobre eles. Ela não fazia isso, ao contrário, ela fixava seus olhos nas qualidades de todos nós e sempre falava sobre elas. O que interessava à minha professora era o que tínhamos de melhor, eram nossos pontos fortes, nossos predicados. Aos olhos dela, nossos defeitos eram meros detalhes insignificantes, que não atrapalhavam em nada o relacionamento que tinha conosco.
Em conversas privadas que tivemos, eu mencionava alguns de meus defeitos, mas para cada um deles, ela tinha uma qualidade para ressaltar. As palavras dela eram sempre de afirmação, de motivação, de elogios. Certa feita, ao devolver-nos um trabalho, ela comentou com um colega – que, por sinal, não gostava nada de estudar - sobre o trabalho dele: “Fulano, seu resumo ficou fantástico! Você escreveu muito bem, seu texto está muito bem elaborado. Você não falou nada sobre o tema que eu havia pedido, mas o que você fez, fez muito bem!”
Fiquei estarrecida. No lugar dela, eu teria enfatizado o erro dele, por ter fugido do tema e não ter feito o que foi pedido. Mas, como sempre fazia, ela focou no lado positivo. As lições que ela deixou gravadas em minha alma são eternas. Ela era uma pessoa simples, muito inteligente, muito bem relacionada e muito, muito feliz. Até hoje penso nela como um modelo a seguir.
Acho que se todos nós conseguimos agir como minha professora, o mundo seria, sem sombra de dúvidas, um lugar melhor para se viver. 

Mãe antinatural - por Michelle Dugan Hunt

As pessoas dizem que ser mãe é natural, é instintivo, intuitivo, é como uma segunda natureza. Ultimamente, tenho me perguntando se isso é verdade ou não.
Para começar, durante a gravidez, muitas mulheres - inclusive eu – sentem-se péssimas, especialmente no início, a náusea, o vômito (felizmente, eu nunca tive vômito, mas a minha cunhada, vomitou como se fosse a última tendência da moda, o tempo todo e em todos os lugares), para não mencionar todas as excursões desgastante que nossas emoções tomam. Mais tarde, a barriga fica grande e, estranhamente, a mais simples das tarefas torna-se quase insuperável, como pegar uma meia no chão, ou pegar as chaves do carro que você deixou cair. Esqueça de você mesma fazer seu pedicure.
Uma pessoa pode ser intelectualmente honesta e ainda afirmar que ter um ser humano crescendo dentro de você e que depois de alguns meses sairá de uma pequena abertura, é natural? Realmente não parece natural. E então o bebê vem e antes que você consiga pensar você já é uma mãe. O que segue então são muitas noites sem dormir, fraldas e mais fraldas, ser um depósito de alimentação humana, como diria o meu marido. Algumas noites atrás eu fiquei acordada com meu bebê duas horas e meia. Alguém pode me dizer o que há de tão natural nisso? Desistir dos meus próprios planos e desejos não me parece ser minha segunda natureza, se quer saber. Sem falar que quando tenho algo pra fazer e meu bebê está gritando, não sinto qualquer tipo de intuição flutuando em meu ser, me dizendo o que deve ser feito, ao invés disso, geralmente tento adivinhar o que fazer e acabo por me sentir terrivelmente constrangida. Ser mãe geralmente me faz sentir exatamente o oposto do meu primeiro instinto.
Dito isto, o engraçado é que desde que me tornei mãe, eu realmente não tenho me chocado muito com a quantidade de trabalho que está envolvido. Eu trabalhava em uma creche e observava a vida daqueles que me cercavam, o suficiente para ter uma ideia da quantidade de trabalho que dá. Meu dilema é mais do que a chamada capacidade inata para cuidar de meu bebê perfeitamente. Olhando para trás, acho que pensei que o meu profundo amor por o meu bebê iria me permitir e me dar sempre a vontade de fazer o trabalho. Parece ser natural, certo? Talvez eu tenha esta noção por causa da minha querida mãe. Definitivamente ela fez parecer fácil. Eu não lembro dela levantando sua voz pra mim, nunca a ouvi reclamar de nada, de verdade. Se eu tivesse sido capaz de falar sobre isso antes de me tornar mãe, certamente alguém que já foi mãe teria me agarrado pelo pescoço e jogado cubos de gelo na minha cara ou algo para me arrancar deste mundo de fantasia, incluindo a minha própria mãe (OK, ela teria feito algo de bom, ela é sempre boa). Eu sei que não devemos ficar surpreendidos com a minha humanidade patética e egoísta, isso é patético em si mesmo. Então é isso, minha ingenuidade está em colapso diante de mim, enquanto eu tento lidar com essa coisa de ser mãe.
Não é diferente da ideia e, mais importante, da realidade da graça. Na minha auto-confiança e meu senso de justiça de uma adolescente e jovem de vinte anos, eu falava sobre a maravilha que é ter a certeza de que tudo que acontece em nossa vida, a graça de Deus vem junto. Eu dizia isso para todas as pessoas que se preocupavam com seu futuro. Isso pode parecer teologia. No entanto, quando eu tive de passar por longos sete anos de diárias dores de cabeça, a graça me parecia mais uma piada. Gostaria de dizer isso a Deus. Eu não senti nenhuma força sobrenatural que me ajudava a passar por estes dias. Parecia que era uma Michelle tentando acordar todas as manhãs e tendo que descobrir uma maneira de sair da cama e enfrentar mais um dia de dor, sozinha. Era somente um grande esforço e muito trabalho. No entanto, agora que olho para trás vejo que a graça realmente estava lá, tecendo-se através de minha dor, em silêncio. O fato de eu sair da cama (quase todas as manhãs) e fazer as tarefas que me vinham à mão para fazer, é a prova de que a graça estava lá.
Talvez seja isso que as pessoas querem dizer quando dizem que ser mãe é como uma segunda natureza. É porque nós acabamos fazendo tudo - fraldas cheirosas e gritos de bebê - todos os dias. No entanto, eu não sabia que eu poderia amar uma pessoa tanto quanto eu amo meu bebê. Eu não amo naturalmente outra pessoa assim. No momento em que eu olhei para ela que eu a amei profundamente. Antes que ela sequer olhar para mim, ou sorriu e abraçar-me, eu simplesmente a amei. Meu coração se encheu com tanto amor que bateu contra as paredes do meu peito, implorando por mais espaço. Isso até doeu. É uma coisa estranha, realmente. Normalmente, nós amamos as pessoas porque elas nos dão algo em troca, como, amizade, admiração, perdão, o seu tempo; as pessoas nos amam de volta, com sua capacidade e profundidade. No entanto, com o meu bebê, eu a amo mesmo nos momentos em que me sinto frustrada ou cansada. Ela não tem que me dar nada em troca, eu simplesmente a amo. Eu acho que todas as mães se sentem assim. Talvez seja isso que faz uma mãe ser tão antinatural, a beleza natural.

Gratidão



Acostumada a levantar às segundas feiras com um mau humor já quase habitual, fiz hoje um exercício diferente. Parei para pensar sobre o que tem acontecido em minha vida. Percebi que há muito mais para ser grata do que para reclamar. Há quatro anos eu ainda chorava de solidão, pagava aluguel de uma kit net e reclamava de tudo. Hoje estou casada, tenho um filho maravilindo de 2 anos, um marido extremamente zeloso e amoroso, um apartamento mobiliado e novinho, um carro zero, um novo emprego e ótimas perspectivas para 2013.
Se eu tivesse apenas meu lindo marido e meu  espetacular filho, eu já seria a pessoa mais completa do mundo. O sorriso e a alegria do meu filho inflam meu coração de tal maneira que há momentos que penso que vou explodir de felicidade. Saber que não preciso me preocupar  com sua saúde e nem sair de madrugada, correndo para o médico, me dá uma tranquilidade sem precedentes. Perceber meu esposo, sempre presente, brincando alegremente com nosso filho, vê-lo preocupado com nosso bem estar, sua dedicação contínua e incansável ao trabalho, a fim de melhorar nossa vida... tantos detalhes que preenchem meus dias de alegria, que fazem a gratidão transbordar em meu coração e a felicidade invadir-me de uma forma tão plena que as vezes dói!
Além de tudo isso, tenho tantas experiências de vida! Já percorri tantos lugares – no Brasil e fora dele – já morei em tantas cidades, já convivi com tantas pessoas, e aprendi tanto, mas tanto, que nem consigo expressar! Sim, sou mais feliz hoje por tudo que vivi e aprendi. Experiências positivas e negativas, pessoas bem intencionadas e outras nem tanto, mas todas elas me moldaram. Reconheço que não seria quem sou se não tivesse vivido o que vivi. Em todos os momentos e experiências contei sempre com a misericórdia e ajuda plena de meu Senhor Jesus. É evidente que se não fosse pela intervenção dEle, eu não estaria aqui agora. Tudo o que sou hoje e se tenho alguma coisa, devo exclusivamente a Ele, por me amar tanto, mesmo sem eu merecer.
Portanto, preciso reafirmar que reconhecer as bênçãos e ser grato pelos presentes diários nos torna mais felizes.  O mau humor da segunda feira foi esmagado completamente pela gratidão. 

Pessoas Medíocres e Pessoas Felizes




Sinto uma grande tristeza ao perceber quanta gente infeliz há no mundo. Tantas pessoas reclamando por tudo, tantas outras criticando todo mundo, gastando energia e tempo em falar mal de fulano e ciclano. A falta de amor entre as pessoas é gritante, e pior: elas não querem amar a todos, sem distinção. Há um esforço muito grande para rechaçar o semelhante, para criticar e fomentar briguinhas tolas. A meu ver, tais atitudes são características dos medíocres. Pessoas bem resolvidas, felizes, que percebem as maravilhas pelas quais estão cercadas, não têm tempo para falar mal dos outros, para reclamar de qualquer coisa.
E daí que fulano falou mal de você? Que importância tem se o beltrano virou o rosto ou inventou algo a seu respeito? Desabroche seu mais lindo sorriso, ofereça-o ao fulano e ao beltrano e siga em frente! O que os outros pensam ou falam a teu respeito é problema deles! A cada um de nós, cabe-nos apenas a nossa parte: fazer o bem, olhar com complacência, oferecer o perdão, dever o amor. Como os outros irão reagir é algo que foge da esfera de nossa responsabilidade. No entanto, sempre é bom pararmos para uma autorreflexão. As vezes, o que os outros dizem a nosso respeito, é reflexo do que estamos transmitindo sem perceber.
Outro dia alguém disse que eu não tenho senso de humor. Minha primeira reação foi deixar para lá e acusar o fulano de ser infeliz, pois mal me conhecia. Mas resolvi pensar a respeito. Refleti sobre como eu reajo, quais são minhas atitudes frente a este ou aquele acontecimento, tentei olhar para mim com outros olhos e captar meu humor. Pedi ajuda de meu esposo nesta tarefa. Fiquei satisfeita com o resultado. Percebi que, enfim, não sou uma má humorada crônica. Sou uma pessoa séria e levo a sério muitos assuntos, mas tenho bom humor sim. Sou capaz de rir de mim mesma e de piadas que não ferem a dignidade de outro ser humano.  Tenho bom humor porque consigo ver beleza nas coisas simples e nos gestos sinceros, tenho bom humor porque consigo amar apesar dos espinhos. Em vez de ficar com raiva do fulano que me criticou, fiquei grata porque ele me proporcionou uma oportunidade de reflexão sobre mim mesma e, assim, aumentei meu autoconhecimento.
Conclamo a você, que está aqui, lendo este pequeno desabafo agora: vamos deixar a mediocridade para trás? Vamos gastar nossa energia com as coisas boas, com o lado bom das pessoas? Vamos deixar a gratidão invadir nossa alma a tal ponto que não sobre espaço para mais nada? Quando aprendermos a olhar o lado positivo de tudo, em detrimento do negativo e dos defeitos das pessoas, então seremos felizes de fato.
Vamos ser mais felizes aprendendo a perdoar e a ter gratidão?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E viva as mudanças!


É quando precisamos mudar de casa que percebemos a quantidade  de tralha que juntamos ao longo do tempo. Eu já passei por esta experiência várias vezes. Não digo “várias” por se tratar de algumas vezes, mas de inúmeras. Não só mudei de casa, mas de cidade e de estado por mais de uma vez. Já morei em duas cidades do Rio Grande do Sul, em duas no Paraná, em duas em São Paulo e no Distrito Federal.  A cada mudança eu percebia que o número de caixas com meus pertences aumentava.
Há algumas coisas que acumulamos pelas quais nutrimos sentimentos de apego e livrar-se de papéis velhos pode tornar-se motivo de crise interna.  Sempre gostei de escrever e por conta desta paixão acumulei algumas caixas apenas com diários. Nunca tive  coragem de descartá-los pois pensava que eles eram parte da minha vida e tudo que fiz ao longo dos anos foi aumentar o número de cadernos dentro das caixas. A cada mudança que eu fazia lá iam junto os diários, como testemunhas de minha vida pregressa.
Esta é a primeira vez que eu mudo de casa e tenho móveis totalmente novos. Enfim estou mudando para uma casa “nova” de verdade, com tudo novo dentro. Ao desencaixotar meus pertences cheguei às caixas dos diários e imediatamente uma dúvida surgiu: não é hora de se desfazer disso? Pensando sobre o assunto e tomando coragem para me desfazer do passado que ali estava grafado, enfim percebi que minha vida mudou muito. Ao reler algumas páginas de alguns daqueles diários senti que lia sobre a história de outra pessoa. Era a história de uma menina insegura, que saiu cedo da casa dos pais, que fez escolhas erradas, que sentia-se sozinha e assustada e que buscava desesperadamente ser amada e aceita.
Definitivamente não era mais eu. Era a história do meu passado, a quem eu estava agarrada. Subitamente, não vi mais razão para guardar tantas memórias escritas de algo que me fez sofrer. Olhei ao redor e vi minha casa nova, percebi minha nova vida e, enfim, foi fácil desfazer-se dos diários.
Há alguns sentimentos, por vezes indefinidos, que nos amarram ao passado com a força de correntes. Não é necessário regar o passado para se ter um presente feliz. Mas é preciso soltar o passado para que tenhamos um futuro valioso. Agora entendo que jogar os diários fora não é sinônimo de desvalorizar meu passado. Se hoje sou alguém a quem amo é porque vivi tudo o que vivi. Não menosprezo o passado, apenas deixei de cultivá-lo como necessário para o meu presente. 
Nada como uma casa nova para nos mostrar que podemos ser pessoas novas a cada dia. Basta querer.  Ou como diz o livro Sagrado: “Basta a cada dia o seu mal”. Não é necessário cultivar os males do passado. Eles devem ficar lá, no lugar deles, onde não moramos mais. Afinal, a vida é feita de mudanças. Graças a Deus!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Arco Íris


O arco íris rasgou as águas do rio e avançou rumo ao cume da montanha. De lá, impulsionou-se em direção ao céu, o mais alto que pode, e então começou sua curva colorida, descendo em direção ao mar, bem acima das montanhas. Depois, em um majestoso mergulho, desapareceu nas salgadas águas. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Espetáculos


Hoje eu percebi que perdemos alguns espetáculos da vida por pura preguiça de observar. Não tenho o costume de acordar cedo. É pela manhã que sinto estar no melhor do meu sono, já que demoro muito a dormir quando me deito. Entretanto, ao me olhar no espelho ultimamente, comecei a perceber que precisava fazer algo. Estou crescendo em um ritmo tão acelerado quanto o meu filho de 2 anos. A diferença entre nós é que meu crescimento não é para cima. Sendo assim, o melhor momento que encontrei para exercitar-me é pela manhã, quando meu marido tem disponibilidade de tempo para estar com nosso bebê.
Por isso, hoje, pela segunda manhã consecutiva, levantei-me antes das 7:00 e rumei à praia para caminhar. Ontem eu estava muito bem disposta, era o primeiro dia e até consegui dar três piques e correr. Mas hoje, apesar de ter acordado com um pouco mais de facilidade, foi mais difícil correr, de modo que fui caminhando, no ritmo mais acelerado possível.
Andei de encontro ao sol, que nascia. E eis ali, atrás da linha do horizonte, o maior e mais belo espetáculo diário da natureza. Sou incapaz de descrever aquela beleza. Neste momento posso apenas recordar as sensações que me tomaram ao contemplar aquela beleza de raios esparramando-se por todo o mar e céu. Assisti àquilo tudo boquiaberta, pensando que todas as manhãs acontece a mesma coisa, o espetáculo está sempre ali, sendo apresentado para quem quiser ver. Eu é que preferia ficar em casa dormindo.
Apercebi-me então, que há outros espetáculos e maravilhas dos quais nós nos privamos por causa de nossos “mimimis”, nossos resmungos, nossos problemas. É tão fácil – e mais prático – viver ensimesmado, rodeado por futilidades. Por que não deixamos de lado nossas frustrações e decidimos apreciar as belezas que o Criador disponibilizou a nós?
Os espetáculos acontecem o tempo todo à nossa volta. Cabe a nós observarmos. Cabe a nós usarmos as lentes corretas para enxergar a beleza e apreciá-la. Não há nada mais grandioso do que as maravilhas do Criador.