Você já conviveu com pessoas que pensam que os outros estão sempre tramando contra elas?
Acredito que a vida é um eterno compartilhar. Compartilhamos amizades, amores, lágrimas, sorrisos e aquilo que somente nós sabemos existir em nós. Neste blog está um pedacinho de mim. Um pouco daquilo que acredito, sonho, sofro e desejo. Você é bem vindo a este compartilhar!
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
As janelas da alma e o caráter
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Um caminhar necessário
O ano é 2013. O mês é outubro, o que significa que meu filho acabou de completar 3 anos. É o primeiro ano dele na escola e o primeiro mês naquela escolinha em específico. As adaptações estão acontecendo lentamente, tanto para ele quanto para mim.
Faz poucos dias que ele parou de pedir que eu ficasse com ele na escola e parou de chorar no portão na hora de entrar. Nos primeiros dias a coordenadora pediu-me que entrasse com ele e o acompanhasse até a sala para facilitar a adaptação à nova escola e amiguinhos. Aos poucos, minha entrada foi ficando mais curta, já não ia até a porta da sala, ficava no meio da calçada e, finalmente, apenas no portão. Durante alguns dias ele chorou bastante, agarrava-se a mim e não queria entrar, mas acabou entendendo e já não chora mais. Ele até avisa:
- Sabe mãe, hoje eu
não vô chorá pa ficá na ixcola.
E não tem chorado
mesmo. A professora que está no portão pega a mochila dele, segura em sua mão e
o acompanha até a sala. Ele se afasta com um sorriso e vai acenando para mim. Mas, hoje foi diferente e quem chorou foi a mãe dele. A professora pegou a mochila, colocou-a nas costas dele e disse-lhe:
- Pode ir Dado, a
tia Pri tá lá na sala esperando você.
Ele me olhou
triste, eu estava do lado de fora do portão. Sorriu timidamente, acenou e foi
andando pela calçada que leva ao interior do prédio. A visão do meu menininho
sozinho, andando com a mochila nas costas e aquele sorrisinho cortou meu
coração. Pensei:
“Tadinho, está
sozinho!” – Mas ele pareceu não ligar muito. Foi andando devagar e eu não
consigo parar de pensar naquela cena de um caminhar solitário. Tive a sensação de que aquela seria a primeira vez que meu menino
enfrentaria o mundo sem mim. Tive ímpetos de ir ao encontro dele, segurar-lhe a
mão e acompanhá-lo. Sei que isso o faria feliz, mas entendi que aquela seria só a primeira caminhada
independente da vida dele. Ele precisará enfrentar muitas outras ao longo de sua
história. Naquele momento experimentei o que milhares de mães ao redor do mundo experimentam: senti-me dividida
entre o querer e o dever.
Fico me
perguntando se algum dia este sentimento de querer participar de cada passo dos
filhos acaba. Creio que não. Há momentos em que caminhar ao lado deles,
segurando-lhe a mãozinha, é benéfico e positivo, mas há momentos em que é
necessário para a saúde emocional deles que lhes soltemos a mão e os deixemos
caminhar sozinhos, que façam as próprias descobertas, enfrentem seus medos.
Mesmo que a gente fique olhando de longe com lágrimas escorrendo pelos olhos e
um aperto sem fim no peito.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Evangélicos brasileiros e discípulos de Cristo
Há muitos cristãos brasileiros estarrecidos diante do cenário político, que já não se separa mais do religioso.
É uma situação extremamente grave, aviltante, humilhante
para aqueles seguem a Cristo.
Fique aqui posto que, quando falo de Cristo, não estou me
referindo à alguma religião fundada por homens em nome dele.
Estou falando de cidadãos que encontraram nele a razão de
viver e seguem-no dia-a-dia. Estes não precisam de uma religião para
sentirem-se legitimados.
Quem conhece um pouco da vida de Cristo quando esteve nesta
terra sabe que ele não tinha intenção alguma de fundar uma nova religião.
Ele veio para ser o salvador de pessoas, para ser um modelo
de Ser Humano para todos. Quem pelos caminhos dele trilha, tornar-se um Ser Humano
mais humano, mais próximo daquilo para o que fomos criados.
Mas o homem tem sede pelo poder, pela dominância, sente prazer em sentir-se superior ao seu semelhante.
Por causa disso, o chamado de Cristo
para andar junto, vira instituição cristã liderada, controlada e dominada pelo Império
estatal de Constantino (lá pelos anos 300 d.C.).
Todo tipo de podridão do coração humano enraizou-se na instituição
chamada igreja cristã.
Os ensinos do Cristo foram esquecidos e desprezados em detrimento
do poder, da ganância, do controle comportamental e moralista que detinham
sobre a população.
A miséria social, a fome, a desigualdade já não eram mais
vistas como pecado social, mas como um selecionador de quem era de Deus e de
quem não era, de quem era digno de ser chamado filho de Deus e aqueles que não
teriam essa honra concedida única e exclusivamente pela igreja.
Séculos se passaram e tudo aquilo que Jesus Cristo ensinou estava esquecido e enterrado debaixo de rituais eclesiásticos, banimentos
e castigos físicos, normalização da miséria e legalização da desigualdade social.
Tudo era visto como a vontade de deus.
Então, um homem atormentado por seu pecado, torna-se um
clérigo e entende as palavras de Cristo sobre a graça salvadora. E ele muda o
rumo da história religiosa-política.
Foi o monge Martinho Lutero que deu o pontapé inicial para a
Reforma Protestante e, depois dele, outros vieram e dividiram a única
instituição cristã que havia até então, em duas. De um lado, os “Protestantes Reformados”
e do outro os “Católicos”.
Atualmente, quando falamos de Reforma, estamos nos referindo especificamente aos textos de Calvino que, depois de Lutero, é o mais popular dentre
os reformadores.
No entanto, quando falamos de Protestantes, estamos
evocando o nome de todos eles, dezenas e dezenas de homens que dedicaram suas vidas
para trazer à luz o evangelho da graça de Cristo.
Estes homens trouxeram à lembrança dos cristãos o que foi
que Cristo ensinou sobre salvação.
Aprendemos que a salvação é pela graça, isso quer dizer que
Deus salva o homem pelos méritos de Cristo.
Não há nada que o homem possa fazer para salvar-se a si
próprio, mas Cristo fez tudo o que era necessário.
A nós, cabe-nos ter fé nos méritos de Cristo e viver uma
vida de gratidão por um bem recebido sem merecimento e, constrangidos pelo amor,
vamos nos tornando mais parecidos com ele.
Mas o ensino Protestante também se perdeu na obscuridade da
alma humana.
O que presenciamos no Brasil hoje é fruto de mais distorções
do evangelho da graça.
Distorções estas que criaram dezenas, senão centenas, de
denominações evangélicas empenhadas em “evangelizar”.
Acontece que essa “evangelização” nada tem a ver com o Evangelho
que Cristo pregou ou com os ensinamentos dos protestantes.
Os evangélicos pregam a salvação através da aprovação de Deus.
Para eu ser salvo, eu preciso ter a aprovação de Deus, e só
a tem quem se comporta de tal ou tal forma.
Daí vem o discurso moralista comportamental, quando a meritocracia
tem mais audiência do que a graça.
Por isso é tão comum entre os evangélicos aquela lista
interminável de “pode” e “não pode”.
Ser evangélico é ser reconhecido pelos itens que a pessoa
cumpre ou deixa de cumprir.
Quando alguém deixa de cumprir um item da lista, é repreendido,
humilhado publicamente e, por vezes, expulso do meio evangélico.
Daí a quantidade de denominações evangélicas existentes. Alguém
que é expulso de uma comunidade, inconformado, funda sua própria denominação
onde se torna o oráculo das regras e aquele que decide o que é permitido e o
que não é.
Esse moralismo comportamental força os evangélicos a não
aceitarem em seu meio aqueles que são ‘diferentes’, ou aqueles que não
conseguem viver por sua cartilha.
Por isso encontramos entre eles tantos homofóbicos,
misóginos, preconceituosos, ditadores compulsivos, arrogantes.
Embebidos pelo poder, eles acreditam que podem dominar o
Brasil, pois é o “Brasil acima de tudo, e deus acima de todos”.
Na visão destes evangélicos, a fé é o poder. Pela fé, eles
acreditam que podem governar um país impondo suas listinhas de deveres e sanções
aos desobedientes.
Aprendemos com o evangelho de Cristo que a fé não é um poder.
E o poder também não é a fé.
A fé é um elemento de convicção, mas não emana dela poder
algum.
O poder é o Evangelho.
O poder é o próprio Cristo.
É revestido de fé Nele que o discípulo poderá viver como
Cristo viveu neste mundo.
Essa fé faz com que o homem que está dela revestido possa
viver uma vida de serviço e de amor, como Cristo viveu.
Mas os evangélicos usam a fé como sendo um poder para
ganhar mais poder e travar batalhas espirituais contra aquilo que impede o
avanço de seu poder.
As bases bolsonaristas estão na teologia da batalha
espiritual e da prosperidade, e não na teologia da graça.
A convicção que eles têm de serem superiores e melhores
porque são os eleitos de Deus é resultado de uma vulgarização do calvinismo ao
longo da história.
A doutrina da eleição que Calvino ensinou foi vulgarizada e
deu lugar a um discurso de privilégios que leva à segregação e estabelece uma
relação de meritocracia entre os fieis e não fieis.
O cerne do que Calvino pregava era a graça, mas acabou se
tornando apenas um discurso de hegemonia por causa da doutrina da eleição.
Isso leva a uma lógica de puro moralismo, pois é necessário
ter a aprovação de Deus através das obras.
Essa relação que os evangélicos atuais têm com Deus é de
poder e não mais de amor.
Se eu preciso da aprovação de Deus, então preciso ser
moralmente correto, ou não serei aceito.
Ora, isso exclui completamente o elemento “amor”.
Só o amor é capaz de conviver com o contraditório, o poder
não.
O poder exclui. O amor inclui e liberta.
Para quem vive pelo evangelho e para o evangelho, tem como
mediador apenas a Trindade, o Cristo é o mediador.
Não é necessário um oráculo humano validando minha crença e
muito menos uma instituição.
Mas, para os evangélicos, tanto a instituição como o oráculo
– aquele homem de deus a quem todos devem ouvir e jamais questionar – são extremamente
necessários para o avanço do poder.
Portanto, o moralismo pragmático que os evangélicos insistem
em proclamar, e pelo qual excluem seres humanos, é totalmente contrário ao
evangelho ensinado por Cristo.
É necessário ter cautela para saber discernir entre os
evangélicos e os discípulos de Cristo.
Um discípulo perdoa e aceita seu semelhante porque sabe que
também foi perdoado e aceito por Cristo, sem nada merecer.
Um discípulo de Cristo vai ser guiado pelo amor que recebeu
do Mestre, e não pelo poder e sua sedução.
Um discípulo vai posicionar-se em favor do oprimido e não
do opressor.
Um discípulo vai transbordar amor porque ele foi alvo de um
amor maior, e sua resposta ao mundo não pode ser outra senão o serviço amoroso ao próximo.
Assim sendo, quando você ver e ouvir sobre as loucuras dos
evangélicos, saiba que há um grupo de discípulos de Cristo que não concorda e
não apoia os evangélicos deste país.
Há que se saber separar quem são os evangélicos e quem são
os discípulos.
Texto de Lia Silva (baseado na aula aberta ministrada por Ariovaldo
Ramos em 02/09/2002)
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
Feliz só por ser Eu Mesmo
Você já percebeu como é fácil comparar-se aos outros?
Mesmo que a gente se conheça bem, olhamos para outra pessoa e achamos que ela está ou é melhor.
Quantas vezes você pensou: Se eu tivesse o cabelo ou a roupa ou a forma certa ...
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
3 atitudes para diminuir a ansiedade durante a quarentena
Qual o nível da sua ansiedade durante este tempo de isolamento social?
O que você tem feito para tentar controlar
ou mesmo diminuir esta ansiedade?
Quero falar sobre três atitudes simples e
possíveis que poderão te ajudar a diminuir o nível diário de sua ansiedade.
1. Transforme sua angústia em oração
Há diversos motivos que estão tornando as
pessoas cada dia mais ansiosas:
·
Falta de emprego
·
Insegurança pelo futuro
·
Medo de ser contaminado pela Covid-19
·
Tumulto pelo excesso de pessoas e crianças em
casa o tempo todo
·
Crianças que demandam ajuda para as aulas
online
·
Solidão por não poder sociabilizar
·
Falta de opção de lazer
·
Tédio
E você pode ir complementando esta lista
....
Toda sua energia está sendo gasta com os
outros, com as diversas demandas e você não consegue parar para dar atenção à
angustia que te consome, certo?
E se, quando você sai da cama pela manhã,
em vez de sair já fazendo um monte de coisas ou permitindo que diversos
pensamentos te dominem, você simplesmente parasse e limpasse sua mente?
Antes de o dia começar, permita-se ter um
momento a sós com você mesmo. Pelo menos um minuto para ouvir seus próprios
pensamentos e encontrar-se com Deus.
Quais suas expectativas para o dia de
hoje?
O que de fato está ao alcance de suas mãos
para ser feito?
Ao tomar consciência de suas angústias,
uma oração simples pode ser feita.
Uma oração de entrega.
Diga a Deus o que lhe aflige e peça-lhe
que leve este peso e deixe no lugar a paz, a leveza e a alegria que você
precisa para atravessar este novo dia.
Não permita que pensamentos do futuro te
assaltem, e se eles vierem, entregue-os também a Deus em uma oração simples.
Viva um dia de cada vez.
A atitude de usar sua energia para orar ao
invés de se preocupar, vai trazer um grande alívio à sua alma.
Ao longo dia, cada vez que um pensamento
de ansiedade te alcançar, repita a oração pedindo a Deus que leve isso para
longe de você e deixe sua alegria no lugar.
O antídoto para a ansiedade é a oração.
2. Desenvolva a prática da gratidão
A segunda atitude para diminuir seu nível
de ansiedade é ser grato. A gratidão é a porta de entrada para a felicidade.
Ninguém poderá ser feliz um dia sem antes ser grato.
Procure nos detalhes da sua rotina diária
motivos pelos quais você pode ser grato, mas não tem sido.
Mesmo em meio ao desastre e ao caos
existem motivos para ser grato. Mesmo que seja apenas pelas lições que você
pode aprender com a dor.
O que você vê aí ao seu redor que poderia
agradecer?
·
Há comida?
·
Há um teto sobre sua cabeça?
·
Há cobertores e roupas suficientes para te
agasalhar?
·
Você tem uma fonte de renda? (se sim, está
melhor do que milhares de brasileiros neste momento)
·
Sua família está com saúde? (se não, aproveite para fazer uma oração de
petição por isso)
·
Você tem um meio para locomover-se?
·
Seus acessos à internet e outros meios de
comunicação estão funcionando?
·
Quais são algumas das suas experiências
passadas que demonstram a presença e o cuidado amoroso de Deus em sua vida?
E você pode dar continuidade à esta lista
...
A gratidão
é algo que se aprende. É um exercício que precisamos praticar todos os dias
para virar rotina de vida.
Por outro lado, a ingratidão rouba nossa
alegria.
“A gratidão profunda e contínua cura o
pessimismo, o derrotismo e a fatalidade cega. O cristão que cultiva o hábito de
agradecer a Deus pelo que ele é e pelo que ele faz dificilmente terá crises de
desânimo. Não abrigará no coração a presença incômoda e doentia do queixume e
da amargura. Será uma pessoa mais saudável, mais disposta, mais dinâmica”.
(Elben Cezar, 2017)
3. Alimente a alma com bons pensamentos
A terceira atitude que você pode praticar para diminuir sua
ansiedade é alimentar bem os seus pensamentos.
Nossa vida
é um reflexo daquilo com o que alimentamos nossos pensamentos.
Não é
possível ser alegre e nem será possível passar pela crise sendo emocionalmente
saudável se você não filtrar aquilo com o que alimenta a sua alma, ou se você
não for seletivo com o que ouve e vê.
Traga à sua
memória aquilo que pode te dar esperança.
Recuse-se a
ver, assistir ou ouvir aquilo que alimenta suas neuroses, sua angústia e suas
preocupações.
Gaste suas
energias alimentando seu pensamento com aquilo que é bom, verdadeiro, nobre e
direito, fixe seus pensamentos em coisas que sejam puras e agradáveis e
detenha-se nas coisas excelentes.
Conforme
você for se exercitando nestas 3 atitudes intencionais, você verá que sua
ansiedade irá gradualmente diminuir e você passará a experimentar uma paz
incompreensível.
Esta paz é consequência das orações, da prática da gratidão e do alimento que você oferece à sua alma.
Se você quiser ler um pouco mais sobre este assunto, indicamos o e-book: Alegria em Tempos de Covid-19. Acesse: https://www.amazon.com.br/Alegria-Tempos-COVID-19-poss%C3%ADvel-pandemia-ebook/dp/B0895PGMJS/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=lia+silva&qid=1598898450&sr=8-2
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Ela só quer amar ...
domingo, 29 de março de 2020
Quando nossa humanidade é abraçada pelo Divino
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Vivemos em uma cultura que valoriza a força, a autonomia e o desempenho. Espera-se que as pessoas estejam sempre bem, produtivas e emocional...
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Não somos apenas o que pensamos, falamos ou escrevemos, Não somos apenas o que pregamos para o outro. Somos também o que não dizemos, a...
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Há uma cena simples e profunda no filme Dança Comigo? que passa quase despercebida em meio à leveza da dança. A esposa, interpretada por S...





