terça-feira, 22 de junho de 2021

Santidade X Perfeição


O que vem à sua mente quando você ouve as palavras 'santo', 'santa', 'santidade'?
A palavra ‘Santidade’ é geralmente usada em categorias dentro do mercado religioso, ou para remeter a uma vida de reclusão em monastério, para nos lembrar de pessoas que se retiraram da sociedade para viverem reclusas e, assim, alcançarem a santidade.
Algumas respostas bem comuns à esta pergunta abrangem:
1)      Santidade tem a ver com a perfeição moral; santo é o indivíduo perfeito, aquele que não peca.
2)      Santidade é a busca da perfeição moral, é o processo para se chegar na perfeição moral.
3)      Santidade é, portanto, impossível de ser alcançada, já que ninguém vai chegar na perfeição moral.
4)      Santidade é para pessoas muuuuito espirituais. Pra ser santo não dá pra estar no chão da vida.
Biblicamente, porém, podemos dizer que a santidade é o que nos sustenta, de tal maneira que o peso da existência não nos esmague.
A santidade é um tipo de coração diante de Deus.
Santo não é aquele que é perfeito moralmente, não é o cara da impecabilidade.
O rei Davi era um pecador consciente. Ele comete o pecado do adultério dentro da relação de intimidade com Deus. Quando o profeta o confronta, ele se identifica como culpado. Ele não se justifica, não terceiriza seu pecado. Isso só é possível quando não perdemos nossa intimidade com Deus.
“Deus tem mais prazer na desobediência íntegra do que na obediência hipócrita.”
Deus não sai da cena quando a gente peca. Estamos na presença de Deus o tempo todo, inclusive quando pecamos. Por isso que a santidade tem a ver com um coração que não tem reservas com Deus.
“Os olhos do Senhor passeiam pela terra procurando um coração inteiramente dele.” 1 Crônicas 16:9
A vida dos humanos é cheia de tentações, cada um carrega consigo seus próprios limites. Quando queremos ser tão santos a ponto de não nos sentirmos mais tentados pelo que é comum aos humanos, estamos nos descaracterizando de nossa humanidade, nos desconfigurando do estilo humano de ser. Isso não é ser santo.
Santidade é viver com tudo o que você é na presença de Deus. Sem medo, sem vergonha, sem falsidade, sem constrangimento, sem irresponsabilidade, com todas as minhas intenções, com meu coração inteiro diante de Deus. Estando meu coração inteiro, haverá nele luz e sombras.
Quando Deus chama Abraão e diz: anda em minha presença e sê perfeito, a gente logo pensa: anda na minha presença e não peque! Mas o que Deus tá dizendo é: “Anda em minha presença e sê inteiro, seja íntegro na minha presença.”
Entender a santidade como perfeição, ou como a busca por ela, vai criar um problema do ponto de vista da saúde emocional, pois vai exigir do ser humano algo que não é possível de se alcançar, e isso vai gerar culpa, vai gerar frustração, julgamento. Nesta perspectiva de perfeição, quando o indivíduo sofre uma queda, quando ele comete um erro, ele é linchado, é desqualificado, é julgado e condenado.
As instituições religiosas, os dogmas, os credos religiosos exigem essa santidade de perfectibilidade moral. Mas isso não é compatível com o ser humano.
As pessoas que buscam esta santidade baseada na perfeição são chamadas por Jesus de hipócritas, de sepulcros caiados. São os fariseus que buscam a aparência de perfeição moral; são eles que não têm pecados escandalosas, que mantêm a aparência de perfeição moral. No entanto, isso não é compatível com a condição humana e nem com a Bíblia.
O apóstolo Paulo NÃO disse: “Deus sabe que eu era pó, mas depois que encontrei com Jesus na estrada de Damasco eu deixei de ser pó!” NÃO! Ele disse: “sou pó, Deus sabe que sou pó.  O bem que quero fazer, não faço; mas o mal que não quero, esse eu faço. Miserável homem que sou. Mas graças a Deus que nenhuma condenação pesa sobre mim por causa de Cristo Jesus.” Esse herói da fé no Novo Testamento foi um homem atormentado, agoniado, ciente de sua posição diante de Deus.
As organizações religiosas que vivem com esse conceito de santidade como perfectibilidade moral não conseguem lidar com pecadores, com seres humanos; eles lidam apenas com fariseus hipócritas, e quando flagram alguém em pecado, tratam logo de julgar, condenar, acusar de ter vida dupla. Isso é doentio.
Paulo disse que Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores dos quais ele era o principal, e isso não é uma linguagem retórica. Ele pensa isso de si mesmo e, na verdade, é o que deveríamos pensar de nós mesmos.
Esse conceito de santidade como perfeição moral faz a gente idealizar as pessoas, nos faz pensar do outro mais do que se deveria pensar. Deveríamos saber que o irmão que caiu está na luta do dia a dia igual eu estou. Quando eu deixo de idealizar o outro e entendo que somos feitos do mesmo pó, então sou capaz ajudá-lo a levantar-se quando o vir caído, ao invés de condená-lo. É um conceito de humildade alheia – húmus = terra, pó. Assim consigo olhar para o outro e ver o mesmo pó do qual também sou formado. Agir assim traz saúde emocional e relacional.
Gênesis 18:27-28 apresenta um conceito de santidade como atrevimento.  Abraão diz a Deus: “Eu só pó e cinza, mas me atrevo a falar contigo”. O homem santo convive com a consciência de que é pó, mas, por causa da graça, do amor e do acolhimento de Deus a ele como humano, ele pode dizer: sei que sou pó, mas me atrevo a falar contigo, eu me atrevo a ser mais do que pó porque eu fui criado para ser mais do que isso.
A pessoa que usa essa expressão: “Deus sabe que sou pó” como justificativa para continuar vivendo irresponsavelmente, não está falando a verdade toda. Deus sabe que eu sou pó, mas também sabe que eu recebi o fôlego da vida, Deus sabe que fui criado à imagem e semelhança dele, Deus sabe que sobre mim repousa o Espírito Santo, Deus sabe um monte de outras coisas sobre mim que podem me fazer parar com essa desculpa para viver de modo vulgar, irresponsável, infantil, leviano e desonesto.
A santidade me faz viver essa ambiguidade: saber que sou pó, mas não quero ser pó, então me atrevo a buscar a Deus para transcender minha condição de apenas pó, pois sei que não sou só pó.
A condição humana e as estruturas religiosas não são compatíveis com o conceito de santidade atrelado à noção de perfectibilidade moral. É seguindo este conceito que a religiosidade se apega e justifica as maiores crueldades sobre os fiéis; ela manipula a culpa dizendo: você não é o que você deveria ser, por isso Deus está irado com você, a mão de Deus vai pesar sobre sua vida até fazer de você uma pessoa santa.
Ora, nós não fazemos isso com nossos filhos! Por que cremos que Deus faz isso com a gente? Será que somos pais mais amorosos para nossos filhos do que Deus é para conosco?
Paulo nos ensina em Filipenses 3 dizendo (v.12) “não julgo ter alcançado a perfeição, mas me esqueço do que ficou pra trás e sigo para o futuro”. No entanto, no verso 15 ele escreve: “nós que somos perfeitos”. Como assim? No v. 12 ele não alcançou ainda, mas no 15 ele já é perfeito? No verso 16 ele esclarece: “prossigamos na medida daquilo que já alcançamos”.  Esse é o conceito de santidade: a integridade.
Eu sei que não cheguei lá – na perfeição moral - mas sei que já fui mudado. Lutero escreveu: “Eu sei que não sou o que devo ser; ainda não sou o que serei; mas, pela graça de Deus, sei que não sou mais o que era”.
Cada um de nós precisa ser íntegro com aquilo que já conquistou. Não tem outro lugar para começar a ser santo, senão o lugar da integridade; não como perfeição, mas como autenticidade, honestidade diante de Deus, inteireza de coração.
Outro conceito de santidade é o de santidade como quebrantamento: “um coração quebrantado e contrito, Deus não despreza”. (Salmo 51:17)
É preciso lembrar que quando o fariseu orava assim: “eu não sou como os outros, eu jejuo, eu dou o dízimo, eu cumpro os rituais, eu participo das reuniões de oração, eu canto no coral, eu não cometo adultério...”  ele estava falando a verdade. Ele era isso mesmo. Mas o que habitava a subjetividade dele - e que ele não enxergava - era o que o impedia de ser santo. Deus não recebe pessoas perfeitas, Ele recebe pessoas quebrantadas.
No Salmo 51 Davi diz que Deus não aceita sacrifícios pelo pecado dele. O que ele está dizendo é que, na verdade, não havia perdão para o pecado dele diante da lei mosaica. Essa lei mandava apedrejar o adúltero. Nesse salmo, Davi está reconhecendo que ele é culpado e merece a morte, merece o castigo divino. Ele não tem o que oferecer para cobrir sua culpa, a única coisa que ele tem para oferecer agora é um coração quebrantado, arrependido. Então, ele apela à misericórdia, ao coração mole de Deus. Essa também é a experiência de Jonas quando Nínive se converte. Ele diz: “eu sabia que o Senhor tem coração mole e iria perdoar”. Deus não resiste a um coração quebrando.
Para vivermos uma vida de santidade diante de Deus, é imprescindível que vivamos em comunidade. Não dá pra ser cristão sozinho. Somos um corpo. O evangelho é sobre o amor, a santidade é sobre viver de maneira relacional e saudável. Precisamos conviver em comunidades de pessoas quebrantadas, com compreensão do evangelho como caminho de saúde emocional e espiritual.
 

    Texto escrito a partir de uma reflexão feita pelo Pr. Ed Rene Kivitz

domingo, 25 de abril de 2021

Um sábado durante a pandemia

 Era sábado à noite. Uma noite agradável e estrelada. 

O menino de 10 anos estava eufórico. Fazia mais de um ano que a pandemia havia isolado a população, e o menino não via a hora de sair novamente. 

A mãe estava levando-o para tomar um lanche em um food truck. Pararam em um dos trailers que servia hambúrguer e escolheram uma mesa no cantinho da calçada, o mais isolado possível. 

Sentados ao ar livre, o menino e a mãe fizeram seus pedidos e ficaram à espera. Conversaram sobre os programas de internet que o menino acompanhava, falaram sobre as aulas on-line, sobre os amigos internautas e riram de bobagens. Um momento único entre mãe e filho que tanto o menino quanto a mãe apreciavam cultivar.  

E então aquela jovem mulher aproximou-se da mesa deles, tímida. Segurava uma sacola plástica grande pendurada no braço.

- Boa noite, com licença. Posso atrapalhar um pouquinho? – E começou a tirar algumas caixinhas de sua sacola e colocou-as sobre a mesa enquanto explicava que, por causa da pandemia, estava sem trabalho, com 4 filhos para criar e por isso estava vendendo artesanatos que ela fazia e os filhos pintavam.

- Essa caixinha grande é 20,00 e essa pequena é 10,00.

A mãe sentiu o coração apertar. Sem muita esperança para poder ajudar, perguntou:

- A senhora aceita cartão?

O brilho sumiu dos olhos da jovem mulher.

- Não, senhora!

- Puxa, sinto muito! Eu estou só com o cartão aqui.

- Ah, tá bom, fica para a próxima então. – E foi guardando seus artesanatos novamente na sacola.

E então o menino se levantou dizendo:

- Eu acho que eu tenho dinheiro na minha carteira! Ainda bem que eu lembrei de trazer hoje, pois eu sempre esqueço, mas hoje ela vai servir para alguma coisa.

A mãe foi surpreendida. De onde o filho tinha dinheiro? Será que tinha mesmo? Será que não seria frustrado ao abrir a carteira e vê-la vazia?

Ele sofreu para tirá-la do bolso apertado, mas quando conseguiu, anunciou alegre:

- Eu tenho 4,00!

- Ah, filho! Então não dá, pois é 10,00!  - Orientou a mãe.

- Não, tudo bem, pode ser 4,00 sim! Não tem problema! – exclamou animada a mulher.

- Mas não vai te deixar no prejuízo?

- Não, imagina! É tão linda a disposição dele!

Ela pegou o dinheiro que ele lhe ofereceu, deixou-o escolher a caixinha e despediu-se com um sorriso enorme no rosto dizendo à mãe:

- Parabéns por seu filhão, viu?

A mãe olhou para o menino com as lentes daquela mulher e não pode deixar de sorrir. Que coração lindo aquela criança de 10 anos mostrara naquele momento.

Talvez também por isso Jesus tenha alertado que só entrará no Reino dos céus aqueles que tiverem o coração puro como o de uma criança. 

E aquela foi a melhor noite de sábado que tiveram até aquele momento durante a pandemia.


Por Lia Silva 

24/04/2021

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Uma batalha pela autenticidade e dependência

Davi era o caçula de oito irmãos. Ainda jovem, foi enviado a viver no campo para cuidar das ovelhas do pai. Enquanto seus irmãos, grandes e fortes eram convocados para lutar no exército do Rei Saul, Davi permanecia no campo com suas ovelhinhas.

Sozinho no meio do nada, ele dedicou-se às artes: tornou-se excelente harpista e um poeta sensível. Cantava e recitava para seu público de ovelhas. Eu diria que, se estivesse entre nós hoje, ele seria um perfeito homem das artes, totalmente de humanas!

Durante seu tempo com as ovelhas, Davi também se dedicou à amizade com o Eterno. Tornou-se íntimo dele como poucos o foram em sua época. E isso ficou muito claro quando ele relata ao rei Saul como foi que o Eterno o livrou das garras de um urso e de um leão, que tentaram roubar-lhe o rebanho. Um garoto que ousou em sua fé e foi recompensado!

Quando o gigante Golias ameaçou as tropas de Israel e zombou do Eterno, Davi prontamente se apresentou ao rei Saul para fazer com o gigante o mesmo que havia feito com o leão e o urso. Ele foi enfático em seu diálogo com o rei Saul:

“Sou um pastor e cuido das ovelhas do meu pai. Quando um leão ou urso atacava um cordeiro do rebanho, eu saia atrás, matava e resgatava o cordeiro. Se o animal quisesse me atacar, eu o agarrava, torcia seu pescoço e o matava. Leão ou urso, qualquer um deles eu matava. Por isso, farei a mesma coisa com esse filisteu incircunciso que está afrontando o exército do Deus vivo. O Eterno que me livrou das garras do leão e das garras do urso, também me livrará das mãos desse filisteu.” (1 Samuel 17:34-37)

Assim, o rei consentiu que o jovem enfrentasse o inimigo que aterrorizava seu exército. Porém, sabendo que Golias tinha mais anos de experiência em guerra do que Davi tinha de vida, resolveu ajudar o menino entregando-lhe sua própria armadura completa.

Davi vestiu-a, mas mal conseguiu andar. Resoluto, tirou tudo dizendo: “Não estou acostumado a isto.” Em seguida, tomou seu cajado de pastor, escolheu 5 pedras lisas, colocou-as em seu bolso e seguiu para o campo de batalha confiante.

O ato de tirar de sobre si o que pertencia a outro, diz muito sobre o caráter do jovem. Mesmo estando diante do rei, Davi escolheu ser quem de fato era: um pastor e não um guerreiro. Ele tinha convicção de quem ele era, e de quem ele NÃO era.

Poucas coisas na vida são mais desastrosas do que tentarmos viver como se fôssemos algo além do que de fato somos. Pessoas que tentam viver pelos padrões dos outros acabam sempre frustradas e machucadas. Alguns se perdem tanto nesse faz de conta, que acabam perdendo a própria identidade.

É necessário que a gente se retire para os desertos da vida para descobrirmos quem somos. Conhecendo-nos a nós mesmos, estaremos melhor preparados para enfrentar as batalhas da vida com sinceridade, honestidade e autenticidade.

Davi não era guerreiro e sabia disso, por isso rejeitou a armadura. Ele era um pastor e foi com as armas de pastor que ele enfrentou a luta, pois sabia que não seria a força dele naquele campo de batalha. Ele tinha plena convicção e certeza de quem iria batalhar em seu lugar. Depois de ouvir os insultos de Golias, Davi respondeu com segurança:

“Você vem contra mim com espada, lança e dardos, mas eu venho em nome do Senhor dos exércitos de anjos, o Deus dos exércitos de Israel, de quem você zomba e a quem você amaldiçoa. (...) Hoje mesmo o Eterno entregará você nas minhas mãos e toda a terra saberá que há um Deus extraordinário em Israel. Todos aqui ficarão sabendo que o Eterno salva sem depender da lança ou da espada. A batalha pertence ao Eterno e Ele entregará vocês em nossas mãos.” (1 Samuel 17:45-47)

Davi sabia quem Deus era, por isso enfrentou o inimigo e venceu a batalha.
Davi sabia quem era, por isso rejeitou aquilo que não lhe cabia, aquilo que era bom para o outro, mas não para si.

Quanto melhor conhecermos o Eterno, mais saberemos quem somos e o quanto dependemos dele. Isso é de uma libertação sem precedentes.

Aqui ficam dois desafios para mim e para você: a) conhecer o Eterno até o ponto de poder descansar nele, sabendo que Ele luta nossas batalhas; b) conhecermos a nós mesmos a tal ponto de rejeitar tudo aquilo que macula nossa autenticidade e identidade.

Você está pronto para essa caminhada?

Vamos juntos e o resto a gente vai aprendendo no Caminho
.

 

Lia Silva, 23/02/2021


Os textos bíblicos foram retirados da versão bíblica "A Mensagem".

domingo, 13 de dezembro de 2020

Fé e emoção

     Faz já algum tempo que venho pensando na relação que é feita entre fé e emoções. Cheguei a rascunhar um texto sobre o assunto, mas não publiquei. Hoje o assunto voltou à tona quando assistia a uma aula online[1]. Então resolvi voltar ao meu texto e reescrevê-lo à luz do que acabo de ouvir.

     O grande problema da maioria das crenças atuais repousa na introdução das pessoas crédulas à necessidade de terem sua fé validada na emoção e no sentimento. A fé acaba por ser vinculada à emocionalidade. O indivíduo entende que só é bom em sua crença se ele for capaz de se emocionar profundamente.

     A fé só é validada se a pessoa for possuída de muita emoção. No início dá certo, mas logo vem a angústia porque não é todo mundo que consegue viver em estado emocionalizado por um longo tempo. Muitas pessoas acabam sofrendo certos transtornos psicológicos e podem acabar bipolares pela necessidade de forçar uma euforia intensa.

     Alguns sistemas de crenças praticam ritos que induzem à emoção. Nestes ritos, as pessoas experimentam catarses treinadas, ou seja, sugestões emocionadas, ditos que induzem à emocionalidade. Acaba se tornando uma intensa busca de validação emocional para dizer que tal indivíduo está bem naquela crença. Tais catarses treinadas são vistas como fé.

     Especificamente entre os cristãos pentecostais não vemos exatamente um rito de indução à catarse, mas há uma ambiência para os cultos com gritos, cria-se um clima específico, usa-se jargões, e há uma orquestração poderosa. Alguém fala em línguas, outro profetiza, outros glorificam em alta voz. Esta é uma orquestração indutora para a emocionalização.

     Porém, isso também tem um limite. O cérebro não consegue viver neste estado durante muito tempo. É como no estado apaixonado, vive-se assim por um ano ou pouco mais, mas logo passa, e o cérebro não aguenta existir sob essa opressão das emoções. O cérebro começa a se retrair para acalmar-se e conseguir seguir mais pacificamente.

     Quanto mais a pessoa demonstrar tais emoções publicamente – falar em língua, chorar, gritar, suar, rodopiar - mais ela será considerada espiritual, piedosa, santificada, cheia de fé. Se o crente não fazer isso ou aquilo, é porque não crê. Mas, e quando a emoção começa a falhar? Então começa a teatralização dos sentimentos forjados e falsificados.

     Portanto, é possível verificar que, em um ambiente de fé de natureza cristã, há pelo menos 3 níveis de classificação dessa fé emotiva:
1) Crenças/credo e doutrina – mais praticado pelos reformados que conhecem bem seus credos e chamam isso de ‘minha fé’. Mesmo que seja um conhecimento raso, só de decoreba das doutrinas a serem seguidas, a simples repetição desses credos racionais tornar-se a “fé” deles.
2) Crenças e ritos – A prática do rito gera a emocionalização. De modo geral, os cristãos gostam da emoção da fé, de sentir a fé – “olha como tô arrepiado”. O rito induz bastante ao emocional e a pessoa vai embora daquela reunião/culto/missa dizendo que “sentiu Deus”. As crenças religiosas tem esse viés de quererem sentir a divindade.
3) Grupos de crentes de catarses induzidas – são grupos pentecostais onde o Espírito Santo só se manifesta se o crente for derrubado. As pessoas começam a rodopiar, entram em um giro espiritual até serem supostamente possuídas pelo Espirito Santo e então caem, e outros ao seu redor vão também caindo. É um estado de catarse induzida delirante. Tais indivíduos se levantam dali dizendo que foram ‘visitadas pelo Espirito Santo’. Outros que buscam apenas sensações e emoções mudam de um grupo para outro, para ir renovando as sensações.

     Para essas pessoas, a relação entre Deus e fé são carregadas de expectativas diversas que vão da riqueza à proteção contra qualquer forma de catástrofe; são crenças praticadas para servir como apólices de seguro, de saúde, de riquezas, e isso implica na validação da fé por meio da emoção. A fé destes coloca Deus em uma situação de devedor ao que crê, assim, o crente exige de Deus determinadas bênçãos porque tem fé nele.

    O que de fato acontece é que quando chega a hora do desconforto e da angústia, quando já não tem mais emoção positiva, então vem a frustração e até o ateísmo. Pois, se o indivíduo busca sentir Deus, mas já não o sente, logo, Deus não existe, ou não está mais interessado em se manifestar.


Para tais pessoas, Deus só é Deus quando é emoção vivenciada. Mas quando chega a hora do desconforto, da doença sem cura, do sofrimento indizível, da falência, então começa a angústia pela validação da crença. Tal crente precisa que aquele conjunto de crenças que ele pratica – aquele dízimo, aquela oferta, aquela frequência aos cultos, aquele coral e escola bíblica onde ele não falta - tudo isso precisa ser validado pelo sentimento; e quando não há mais este sentimento, então a vida do indivíduo se arrebenta. Neste momento se manifesta um dos maiores desesperos para alma cristã ocidental e de experiência pentecostal.

     Em um sistema de crenças baseado em emoções que são passageiras, a fé não se sustenta quando chega a hora do esmagamento absoluto. O cérebro do indivíduo já não consegue mais entrar em catarse indutiva alguma, a pessoa não encontra Deus em lugar algum e sem a sensação e a emoção, torna-se enlouquecido. Esse deus como sensação e emoção se transforma no poder mais enlouquecedor que podemos conhecer. É por isso que 70% dos pacientes de clínicas psiquiátricas são pessoas vinculadas às igrejas que incitam à fortes emoções e criam a correlação entre deus-sentimento-emoção. Não tem alma que aguente.

     A fé segundo o Evangelho de Jesus:
O Evangelho não é um sistema de crenças.
O Evangelho é um caminho de consciência.
Evangelho é amor que pratica justiça, que promove paz, que perdoa os arrependidos.


O Evangelho é não julgar os outros, muito menos segundo a aparência, é busca de discernimento silencioso para ser objeto de prática de sabedoria nas relações humanas.


O Evangelho é marcado por sinceridade e sem hipocrisia, com discrição, sem histeria, sem manifestações gritantes, mas também não é silencioso, ele tem um tom pacificado de relação humana.


Tem alegria, mas não é feito de algazarra; oferece um culto racional ao mesmo tempo em que não busca emoções, mas também não foge delas.
Não fica procurando por emoções e nem por sensações, mas não tem medo de manifestá-las. Jesus chorou, riu, gargalhou.


O evangelho não é um sistema de crenças que ensina que se você juntar uma emoção com outra, ou com isso e aquilo, o resultado será fogo. No Evangelho não existe sistema de nada, é só um compartilhar de vida e alegria.


No Evangelho se crê que Deus é livre e soberano para manifestar o que Ele quiser e quando Ele desejar. De modo que se alguém fala em línguas ou tem visões, isso virá naturalmente e não será fruto de um buscar emotivo.


O Evangelho não é um sistema de crenças mágicas, mas é um caminho de consciência de verdade e de vida, é espiritualidade e não se alimenta de emoções.
Evangelho é amor com suas manifestações de verdade e de justiça, de bondade, longanimidade, mansidão, domínio próprio, fidelidade, discrição, alegria na simplicidade, espontaneidade na doação, alegria de ter na generosidade um galardão.


Essa fé segundo Jesus se manifesta nestas práticas e obras, é a conexão com o impossível.  Em Lucas 1:17 jesus estava falando da salvação quando mencionou que tudo é possível para Deus. A graça, a salvação, a fé genuína em Jesus me conecta a toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo – me conecta ao impossível, me faz andar dentro dessa coisa estranha que só compreendemos depois, mas que é o desafio de Jesus para nós: experimentar a conexão com o impossível.


Até mesmo para experimentar a certeza da salvação eu preciso ter uma conexão com o impossível. Pois, como é que um ser como eu pode vir a experimentar toda a glória de Deus e me tornar coerdeiro dele em Cristo? Para acreditar nisso, é necessário ter essa loucura de se tornar capaz de crer pela fé. Uma fé que é a certeza de coisas que não se veem e convicção de coisas que se esperam pela fé. 

     Uma fé que não é emoção e nem sentimento, que se baseia em sensações e emotividades, mas é fé na fidelidade de Deus. As coisas são maiores do que eu, mas eu ando guiado por uma fé-certeza (Hebreus 11:1).

     Toda narrativa da escritura é sobre a fé que nos coloca conectado com o que está para além do imediato, e isso não acontece por meio de emoção ou sentimento, acontece por meio de certezas das coisas que se esperam, de convicção. Nada tem a ver com emoção, com sentimentos ou falta deles. É crer na palavra de Deus, e a palavra de Deus é Jesus. Jesus é a única palavra pura e absoluta de Deus para todos os homens e todas as consciências.


Características da fé segundo Jesus Cristo:


1) A fé segundo Jesus é uma fé feita de não-dúvida. A fé é um dom de Deus, é graça. Todos podemos ter fé, mas há aqueles com níveis diferentes de fé. Há quem desfrute de uma fé que cresceu para além da dúvida. Jesus nos exortou para crermos e não duvidarmos. Ele questionou seus discípulos: ‘homens de pequena fé, por que duvidastes?’ Em Jesus, não há estímulo para a dúvida. Existe, sim, paciência com o nível de maturidade de cada um. A dúvida é para ser vencida. A fé é certeza. Somos gente do impossível. Nós que cremos devemos não duvidar, precisamos olhar para a vida sem dúvidas, mesmo que não a entendamos. Preciso ser uma pessoa em quem a dúvida foi vencida. É uma fé que só acontece para além dos sentimentos e das emoções. Se eu me emocionalizar, então as dúvidas surgirão. O coração é traiçoeiro, a emoção é volúvel, é como as ondas do mar que vão e vem e, nesse balanço das emoções, as dúvidas são criadas. Mas podemos crescer para viver para além da dúvida. Isso acontece quando não achamos que temos o mérito de entender todas as coisas da existência. Faz parte da minha fé não entender a existência e crer no amor de Deus para comigo mesmo quando não sei e não entendo nada. E, verdade seja dita, nós não sabemos e não entendemos nada o tempo todo. Viver com confiança não é viver de maneira burra. Eu continuo analisando, sou crítico, sou racional, sou ponderado. Mas não tenho medo e nem dúvida e faço minhas ponderações sempre tendo convicção de que conto com a ajuda sobrenatural de Deus sobre mim. Eu vou me habituando ao impossível, vou me habituando a viver sem dúvida e com convicção e certeza... com emoção ou sem emoção, tanto faz, porque EU SEI.
 
2) A fé segundo Jesus é confiança no amor de Deus. Eu não preciso ter preocupação com nada pois, se Deus é Deus do jeito que eu creio em Jesus, então vivo em paz nessa confiança pacificada do amor de Deus por mim. Se Deus é Deus para mim, se Deus é Deus de fato, então o que me resta senão confiar absolutamente nele? Nesta perspectiva, eu me torno como uma criança que tem de confiar em alguém que cuide dela. Conforme cresço e vou amadurecendo nessa confiança, eu vou descansando nele. Não importam os abismos, quanto mais profundos eles forem, mais profunda será a minha convicção, pois Deus é por mim, e se Deus é por mim, e eu creio nisso, então descanso. Eu aprendo a viver crendo assim, e só a confiança nele me leva atravessar todos os vales sombrios.
 
3) A fé segundo Jesus é descanso e paz. Você se entrega e é pacificado serenamente. A cada dia isso vai crescendo dentro de você e você se sente solucionado antes mesmo de existir uma solução, pois estará em paz e descansando nele. Posso não ver como será o meu futuro, mas descanso porque sei que, na verdade, o futuro já é, pois já está consumado, Ele já fez tudo que era necessário ser feito por mim. Posso descansar pacificado nele.
 
4) A fé segundo Jesus é algo que se torna à medida que se treina. A gente evolui, a gente treina na fé. A vida é um treino que nós vamos treinando na gente mesmo. Começamos a crer como uma criança, mas conforme as dores da vida vão acontecendo, a gente vai crescendo em fé, vamos aprendendo a não colocar a confiança em tolices. A vida é o próprio treino. Vai-se ganhando solidez diante das dores. Vamos virando filhos tranquilos do milagre porque aprendemos a andar nesse estado de descanso e paz.
 
5) A fé segundo Jesus é algo que a gente vê aumentar em nós. É por isso que Jesus fala do homem de pouca fé. A fé é diminuída pelas dúvidas e cresce na entrega ao amor e na fidelidade de Deus. A fé pode aumentar, por isso Jesus fala que a fé pode ser pequena como um grão de mostarda. Se tem algo pequeno, também tem algo que cresce e se desenvolve, que amadurece, que se enraíza e se expande.
 
6) A fé segundo Jesus se consuma como uma dimensão que excede a todo entendimento. Quando cremos assim, a fé se torna muito mais do que um escudo, pois se Deus é por mim, o que ou quem será contra mim? Eu estou guardado nele. Por isso que essa fé se consuma nessa dimensão que excede o entendimento. Nessa altura, posso me sentir como aquele que não precisa sentir nada, e quando sente é gostoso, mas quando não sente, está tudo bem, está ótimo, pois acima disso, EU SEI! Não preciso sentir, só sei. Isso é paz, é descanso! Eu não tenho que mentalizar ou forçar essa fé. Ao contrário da mentalização que é um esforço, essa fé é entrega e descanso, é confiança. É a não
mentalização, é o silêncio confiante e pacificado.



[1] Aula ministrada por Caio Fabio d’Araujo Filho em curso online sobre “Como vencer o Medo”. Link não disponível atualmente.


domingo, 6 de dezembro de 2020

Por amor

 

É sábado de manhã. Estou concentrada terminando uma reflexão bíblica, fazendo anotações, quando meu filho – 10 anos - aparece.

- O que tá fazendo, mamãe?

- Terminando de preparar uma reflexão que vou compartilhar online com um grupo de pessoas amanhã à noite.

- Ah! E você vai receber por isso?

- Não, filho! A gente não cobra para compartilhar a Palavra de Deus. Eu faço isso porque eu gosto de falar sobre o Evangelho. Eu faço por amor.

- Hum.

E saiu. Foi brincar. O dia passou e ele fez diversas atividades, recebeu o amiguinho, assistimos a um filme e, na hora de dormir, como sempre fazemos, lemos um trecho do Evangelho e oramos. Durante sua oração, eu ouço:

- Senhor, ajuda-me a espalhar o teu amor e contar para as pessoas que elas são amadas por ti. E o Senhor sabe que eu quero ser um dublador, mas se o Senhor quiser, eu também posso ser um pregador, assim como a minha mamãe é, e eu quero falar da tua palavra por amor, como ela faz.

Recebi minha recompensa.

Alma repleta. Satisfeita. Feliz.

Gratidão ao meu Senhor por ser capaz de ensinar sem palavras ao meu filho, e por saber que ele está aprendendo lições eternas!!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Girassóis

 Meu filho ganhou da escola sementes de girassol no dia das crianças.

Plantamos alguns dias depois.

E hoje eles estão assim!! Orgulhosamente mostrando sua beleza de jovens flores.

Ainda há alguns que em breve irão desabrochar. Mas a alegria de ver dois prematuros nos ensina uma lição importante:
As sementes chegaram para nós todas juntas, em um saquinho.

Todas foram plantadas no mesmo momento e receberam o mesmo cuidado.

Alguns deles cresceram mais do que os outros e ainda não desabrocharam.
Outros, menores, já estão floridos. E outros, ainda, estão em desenvolvimento mais lento e vão demorar para florir.

Vejo aí uma lição de individualidade.

Não é porque todos tiveram o mesmo tratamento, ao mesmo tempo, que estão florindo da mesma maneira.

Cada um, em seu tempo, vai dar as flores que tem para dar, mas não porque queremos, tampouco porque regamos ou cuidamos, mas porque eles têm seu próprio tempo e irão desabrochar segundo suas condições internas.

A individualidade é uma riqueza!

Precisamos aprender a respeitá-la mais!

Jesus nos trata segundo nossas individualidades! Ele sabe que o jeito que Ele trata o Fulano, não é o que funciona para Beltrano! Ele ama cada um com suas peculiaridades e como indivíduos.

Bora aprender com os girassóis ??? ❤ ❤

Seja como o girassol: busque a direção da luz!

Agora vamos ter os girassóis
No fim do ano
E o calor vem desumano.
Tudo irá se expandir,
Crescer com as águas,
Quiçá, amores nos corações.
Cassia Eller - Milagreiro

"Amor a gente não procura. É assim: você deixa a porta meio aberta, se distrai plantando girassóis e ele entra. Ele adora contrariar."
Caio Fernando Abreu

"Os girassóis crescem em meu jardim...
A primavera quer ficar
Mais uma estação
Dentro de mim..."
(Carmem Dalmazo)

Pensamento Positivo ou Fé?

Quando acordei hoje havia um áudio de uma querida amiga com um questionamento extremamente válido. Ela pedia-me ajuda para tentar compreender melhor a situação.
Tratava-se de uma pessoa – conhecida dela – que há dois anos sofria de um câncer, mas que mantinha a fé, a alegria, a positividade diante da vida. Todas a manhãs, essa enferma enviava mensagens positivas, com declarações de que cria em sua cura, que sabia que Deus estava com ela e coisas semelhantes. Mas ela faleceu. Apesar de sua fé na cura, ela faleceu.

Logo depois da minha conversa com esta amiga, conversei com outra antiga amiga, alguém que, em determinada época de minha vida, foi um anjo enviado por Deus para cuidar de mim. Ela relatou-me como este ano de 2020 foi difícil para ela, como passou por tantos e diversos sofrimentos, mas manteve a fé e que segue para 2021 revestida dessa fé. Ela então lembrou-se e relatou as situações que ela presenciou de pessoas no hospital de câncer onde ela, enfermeira, trabalhou durante anos. Ela viu muitos pais que, durante o tratamento, pareciam equilibrados e resilientes, confiantes em Deus, mas que, na hora da morte dos filhos, descompensavam totalmente, perdiam totalmente qualquer equilíbrio e desafiavam Deus para um duelo, para uma luta corpórea onde pudessem descontar toda sua raiva por Ele ter levado o serzinho tão amado deles.

Totalmente compreensível.  Não tenho nem noção de como seja a dor de perder um filho.
Mas o questionamento da minha primeira amiga, logo de manhã, era sobre a fé: por que alguém que demonstrava tanta fé, não alcançou seu milagre?

O que eu aprendi sobre o assunto fé ao longo da minha história de vida é o que posso compartilhar. Aprendi muito com os exemplos e os conceitos que temos na Bíblia, e também aprendi muito com minha própria história.

Entendo que a primeira coisa que precisamos fazer para entender algumas situações é fazer diferenciação entre “pensamento positivo” e “fé”. A positividade é algo que precisamos repetir todos os dias, renovar a cada novo problema, fazer mantra, cruzar os dedos e “confiar” que o pensamento positivo vai trazer para mim aquele resultado final que desejo.  Se eu alcanço aquilo que meu pensamento positivo reclamava, então sou inundado de euforia e até de alegria, mas com o passar dos dias, essa euforia se vai, e eu acabo esquecendo de tudo enquanto sigo com minha vida. Se meu pensamento positivo não alcança aquilo que eu almejava, a frustração, a descompostura, o desequilíbrio, a dor, a angústia são devastadores. Demora muito tempo para que as pessoas se recomponham e voltem a viver bem novamente – isso quando conseguem continuar vivendo.

A fé tem outra natureza. A fé não tem a ver com circunstâncias ou com sentimentos. A fé é uma certeza que habita águas muito mais profundas do que o pensamento positivo. 
A fé não é depositada em coisas ou desejos. A fé tem seu descanso em uma pessoa: Jesus Cristo.

Porque eu sei que sou amada por ele, então minha fé nele me sustenta durante as dores.
Porque eu sei que minha fé está em uma pessoa totalmente fiel, eu descanso no meio da tempestade.

Porque eu sei que Ele está comigo no vale da sombra da morte, eu encontro paz que excede todo entendimento.

A fé me faz andar, me faz prosseguir, mesmo que a dor seja cruel, porque sei que não estou andando sozinha.

Minha amiga “Anjo”, disse algo engraçado: as pessoas acham que a fé delas tem que ser remunerada. Ou seja: porque eu tenho fé, então Deus se torna meu devedor e tem que me pagar dando-me aquilo que eu demando.

Mas a fé não é remunerada desta forma. A fé existe para nos fazer andar em meio ao deserto, não para nos satisfazer as vontades. A fé verdadeira permanece intacta, mesmo quando meu desejo não é atendido.

Faz parte da fé questionar, faz parte da fé entristecer-se, faz parte da fé sofrer. Mas ela existe justamente para nos guiar até o outro lado do deserto. Quer as respostas cheguem, quer não cheguem.

Por último, a fé não é algo que a gente adquire tendo pensamentos positivos ou apenas desejando-a. Aprendemos que ela é um presente de Deus.  Portanto, querid@ leit@r, se você se considera alguém desprovid@ de fé em Cristo, peça-lhe e Ele mesmo vai te presentear com uma fé firme e inabalável. É Jesus Cristo quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar.